Espaço criado para analisar a sociedade em geral, tendo como conhecimento empírico minhas tragédias pessoais e a farsa de que sou uma pessoa perfeita e toda a humanidade é puro desperdício de existência. No fundo, todos nós achamos que estamos certos e o resto do mundo é que se comporta mal, mas não temos coragem de expor isso. Bem, como não tenho mais nada a perder, vamos ver até onde vou. Egocêntrica e narcisista? Não importa: Freud explica!
terça-feira, setembro 12, 2017
quarta-feira, maio 17, 2017
Das lições de um bom divã
Eu me
mudei de São Paulo em 2007 por conta de um rompimento afetivo. De repente, a
maior cidade da América Latina ficou pequena demais para nós dois. Araraquara
foi meu sanatório - a cidade do Caibar era propícia, né?
Em 2010,
quando eu voltei à capital, o que havia ficado escondido, por tanto tempo, deu
as caras e foi como um trator. Mais uma vez, resisti. Até que não deu mais.
Então, eu
deitei no divã de Sigmund, a primeira vez que fiz isso, e disse em alto em bom
som: "eu odeio ter sido rejeitada". Repeti a palavra rejeitada até ela simplesmente descer sem travar pela minha garganta.
E eu saí
de lá curada! Dez anos depois, eu estava pronta para cruzar qualquer esquina, me encontrar com ele e seguir adiante.
Eu estou
apaixonada. Aparentemente mais um fracasso - sou destas! É muito difícil para
mim assumir esse tipo de sentimento. Porque eu sou racional e paixão é um sentimento que eu detesto. O controle é meu sempre, não quando estou apaixonada!
Estava meio angustiada, meio triste, meio entediada. Então,
numa conversa sem grandes pretensões, eu apenas entreguei a toalha e disse: “eu tô sofrendo, porra! Eu estou sofrendo porque acho que estou gostando de alguém, não estou sendo correspondida e eu não sei lidar com essa merda toda"!
Ufa!
Tenho
certeza que isso passa, da mesma forma como já passou tantas outras vezes, mas
agora eu sei que vai ser mais rápido. Quem sabe, amanhã mesmo!
Também vou me
permitir chorar. Não mais que três dias. Oscar Wilde dizia que sofrer por amor
mais que três dias é falta de educação. Sou uma moça educada!
No mais, seguimos, porque como canta Gal, respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minhas risadas!
quinta-feira, março 02, 2017
Gritaram-me gorda e eu respondi
Ontem,
estava eu passando pelo metrô Anhangabaú, quando parei para comprar uma
humilde barrinha de Galak a cinco mangos. Comprei e guardei. Dez passos
à frente, tinha um mendigo, que observou a cena e me pediu dinheiro. Eu
não tinha nada de trocado, então, simplesmente segui andando. Então
escuto: "desse jeito você vai ficar mais gorda"!
Sou
gorda, sim. GORDA, GORDA, GORDA. Falemos em alto e bom som. Percamos o
medo dessa palavra e sigamos comendo o que a gente bem quiser, enquanto a
saúde permitir. Porque a vida é curta e eu quero mesmo aproveitá-la!
Sabe
quando o tempo para por alguns segundos? Eu pensei que não era possível
que um ser humano que nunca me viu na vida, na sarjeta, se sentisse no
direito de falar qualquer coisa para mim sobre o meu corpo. Quem
perguntou? Quem pediu a opinião? Quem? Quem? Quem?
Dificilmente eu respondo, mas desta vez saiu. "E você seguirá mais miserável"!
O
miserável, é claro, não se referia ao fato de ele ser um pária social. É
miséria de ser humano, saca? Me chamarem de gorda não é xingamento há
muito tempo. Se tenho algo a agradecer ao meu primeiro psicólogo, é
minha autoestima. Sim, às vezes eu me sinto uma titica, mas isso nunca
me é inculcado por alguém. Porque eu me conheço bem para saber que ser
uma mulher gorda não é a única coisa que me define. Tem toda uma
história de alegrias e tristezas que compõe essa pessoa aqui. E miséria
humana não é uma delas!
quinta-feira, julho 09, 2015
É só a vida ...
Há dias que chego na terapia e digo: “não adianta, eu nunca
vou aceitar a morte. Nunca aceitarei o fato de que os radicais livres estão me
devorando por dentro e, por mais que eu faça, euzinha, essa pessoa tão legal,
um dia não será nada além de pó. E o universo? Ele nem se dará conta”.
É duro conviver com esse tipo de pensamento. Nem preciso falar sobre o tratamento psiquiátrico e terapêutico que faço, há anos, para me manter essa pessoa equilibrada e bem humorada, apesar das minhas dúvidas, angústias e incertezas!
Fato é que, de vez em quando, isso passa. E passa quando eu tenho a oportunidade de ver que nascer e morrer faz parte da gente e que é até um movimento bonito. Gente saindo de cena para dar espaço a outras.
Há 15 dias, uma amiga da minha mãe a quem eu chamava de mãe branca, porque a minha é preta, morreu. Fiquei pensando que começou o processo. Se tudo correr de forma o natural, são os amigos da minha mãe e ela própria que partirão. Depois virá a minha geração, e depois a da minha sobrinha e assim por diante.
Minha mãe tem uma outra amiga de muito tempo. Ela chama-se Maria Alice, mãe da Neide, a quem chamo de irmã. A Neide teve duas filhas: a Ágata e a Pâmela. Eu batizei a primeira e meu irmão a segunda. Hoje, eu recebi a notícia que a minha menininha, que eu vi crescer na barriga da mãe, fui ver na maternidade, torci por ela, chorei com seu sofrimento e sorri com suas vitórias, está esperando um bebê.
E enquanto eu ia para o mercado, após receber a notícia, a nuvem da angústia que sempre me acompanha se dissipou. Pensei que estamos indo para a quarta geração que se conhece, que se gosta, que briga, mas que também se adora. Nós não somos parentes de sangue, mas quem pode dizer que não somos uma verdadeira família? Não é um movimento lindo?
Obrigada, minha Ágatinha, a madrinha já ama a sua criancinha!
É duro conviver com esse tipo de pensamento. Nem preciso falar sobre o tratamento psiquiátrico e terapêutico que faço, há anos, para me manter essa pessoa equilibrada e bem humorada, apesar das minhas dúvidas, angústias e incertezas!
Fato é que, de vez em quando, isso passa. E passa quando eu tenho a oportunidade de ver que nascer e morrer faz parte da gente e que é até um movimento bonito. Gente saindo de cena para dar espaço a outras.
Há 15 dias, uma amiga da minha mãe a quem eu chamava de mãe branca, porque a minha é preta, morreu. Fiquei pensando que começou o processo. Se tudo correr de forma o natural, são os amigos da minha mãe e ela própria que partirão. Depois virá a minha geração, e depois a da minha sobrinha e assim por diante.
Minha mãe tem uma outra amiga de muito tempo. Ela chama-se Maria Alice, mãe da Neide, a quem chamo de irmã. A Neide teve duas filhas: a Ágata e a Pâmela. Eu batizei a primeira e meu irmão a segunda. Hoje, eu recebi a notícia que a minha menininha, que eu vi crescer na barriga da mãe, fui ver na maternidade, torci por ela, chorei com seu sofrimento e sorri com suas vitórias, está esperando um bebê.
E enquanto eu ia para o mercado, após receber a notícia, a nuvem da angústia que sempre me acompanha se dissipou. Pensei que estamos indo para a quarta geração que se conhece, que se gosta, que briga, mas que também se adora. Nós não somos parentes de sangue, mas quem pode dizer que não somos uma verdadeira família? Não é um movimento lindo?
Obrigada, minha Ágatinha, a madrinha já ama a sua criancinha!
Gaia - A Mãe Terra
Obs: vamos estocar água, porque hoje eu ouvi que a Cantareira só se recupera daqui oito anos! A criança precisa de água!
quinta-feira, janeiro 30, 2014
Machado de Assis sempre surpreendendo!
Estou relendo "Memórias póstumas de Brás Cubas", ai me deparo com um trecho no qual Machado de Assis, em 1881, fala sobre como os oprimidos reproduzem atos do opressor, simplesmente porque não conhecem outro jeito de viver.
Vale pra quando alguém diz que negro também é racista, vale pra quando alguém diz que mulher é machista. Explica policial negro sendo violento com a juventude negra periférica. Não é escolha, é manutenção do sistema opressor e não é por acaso.
Sabe quando eu sacaria esse trecho com 17 anos? Nunca! Decidi que tenho que reler toda a lista do vestibular. Quanta coisa vou entender de outra maneira! A lei da abolição só seria promulgada em 1888, o cara estava adiantadíssimo no tempo! E que sarcasmo! Ah, beijo, Machadão!
... um preto que vergalhava outro na praça.
- Toma, diabo! - dizia ele; toma mais perdão, bêbado!
Parei, olhei ... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio - o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a benção; perguntei-lhe se aquele preto era seu escravo.
- É, sim, sinhô.
- Fez-te alguma coisa?
- É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.
- Está bom, perdoa-lhe - disse eu.
- Pois, não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!
(...) Era um modo que Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas - transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o,punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!
Vale pra quando alguém diz que negro também é racista, vale pra quando alguém diz que mulher é machista. Explica policial negro sendo violento com a juventude negra periférica. Não é escolha, é manutenção do sistema opressor e não é por acaso.
Sabe quando eu sacaria esse trecho com 17 anos? Nunca! Decidi que tenho que reler toda a lista do vestibular. Quanta coisa vou entender de outra maneira! A lei da abolição só seria promulgada em 1888, o cara estava adiantadíssimo no tempo! E que sarcasmo! Ah, beijo, Machadão!
... um preto que vergalhava outro na praça.
- Toma, diabo! - dizia ele; toma mais perdão, bêbado!
Parei, olhei ... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio - o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a benção; perguntei-lhe se aquele preto era seu escravo.
- É, sim, sinhô.
- Fez-te alguma coisa?
- É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.
- Está bom, perdoa-lhe - disse eu.
- Pois, não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!
(...) Era um modo que Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas - transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o,punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!
terça-feira, outubro 29, 2013
Eu digo não à terceirização do trabalho
No meio sindical, muito tem se comentado sobre o PL 4330 que legitima a precarização do trabalho, por meio da chamada terceirização. No setor da comunicação, vivemos isso com a pejotização, que vem acabando com o trabalho digno dos jornalistas. Esse final de semana, participei de um seminário jurídico e um dos assuntos abordados foi o projeto de lei.
Em 74, a Lei 6019, passou a permitir a terceirização no caso do trabalho temporário, serviços de vigilância, de conservação e limpeza. Foi perguntado porque os sindicatos não se mobilizaram nessa época, ou quando a terceirização, se intensificou a partir da adoção do toyotismo na década de 80. A pessoa enrolou e não respondeu. Então respondo eu.
Qual o perfil dos vigilantes de bancos? Qual o perfil do trabalhador de conservação de limpeza, ou que vive de trampos esporádicos em indústria, quando há demanda, por exemplo, na páscoa? Exceto pelos cargos de vigilantes, que são, em sua maioria homens pobres e sem estudo, os outros dois perfis são formados por mulheres, negras e pobres. Quem se importa com essa gente?
Fiquei pensando nisso durante todo o seminário e não saiu da minha cabeça o poema atribuído a Maiakóvski, mas não estou certa se é mesmo dele. Diz assim:
"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".
Quero ver as centrais e sindicatos derrubarem essa merda agora. Não se importaram antes porque nunca acharam que fosse ocorrer com eles. Enquanto as mulheres estavam tendo o seu trabalho precarizado, não era da conta de ninguém. Agora o problema virou de todos e vai ser difícil derrubar isso.
Em 74, a Lei 6019, passou a permitir a terceirização no caso do trabalho temporário, serviços de vigilância, de conservação e limpeza. Foi perguntado porque os sindicatos não se mobilizaram nessa época, ou quando a terceirização, se intensificou a partir da adoção do toyotismo na década de 80. A pessoa enrolou e não respondeu. Então respondo eu.
Qual o perfil dos vigilantes de bancos? Qual o perfil do trabalhador de conservação de limpeza, ou que vive de trampos esporádicos em indústria, quando há demanda, por exemplo, na páscoa? Exceto pelos cargos de vigilantes, que são, em sua maioria homens pobres e sem estudo, os outros dois perfis são formados por mulheres, negras e pobres. Quem se importa com essa gente?
Fiquei pensando nisso durante todo o seminário e não saiu da minha cabeça o poema atribuído a Maiakóvski, mas não estou certa se é mesmo dele. Diz assim:
"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".
Quero ver as centrais e sindicatos derrubarem essa merda agora. Não se importaram antes porque nunca acharam que fosse ocorrer com eles. Enquanto as mulheres estavam tendo o seu trabalho precarizado, não era da conta de ninguém. Agora o problema virou de todos e vai ser difícil derrubar isso.
terça-feira, outubro 22, 2013
Apartheid das mulheres não!
Amanhã, as feministas estarão na Câmara de Vereadores para audiência pública sobre o PL 138/2011, que prevê ônibus exclusivos para mulheres rosas - que amor, só que não - em horários de pico para evitar o assédio sexual sofrido por todas nós diariamente.
Segregar não é solução! A solução é educar os homens para que não nos tratem como objetos com os quais podem fazer o que bem quiserem, o que inclui assediar/estuprar. O espaço público é nosso!
Segregar não é solução! A solução é educar os homens para que não nos tratem como objetos com os quais podem fazer o que bem quiserem, o que inclui assediar/estuprar. O espaço público é nosso!
terça-feira, setembro 24, 2013
Deus não perdoa e eu também não!
Pra quem não sabe, sou umbandista. Fui criada dentro do kardecismo, acredito em reencarnação, no livre arbítrio, na lei do retorno. Durante um período treva da minha vida, estive muito próxima ao budismo, religião à qual devo grandes aprendizados. Entreguei-me à umbanda, aceitei a missão de me tornar médium dentro de um terreiro, porque os tambores tocam alto dentro de mim. Tão alto que não resisto ao seu chamado.
A primeira gira que tomei foi na casa do meu sempre pai de santo José Francisco, e foi o caboclo da minha eterna mãe de santo, Andréa quem me presenteou. Decidi ali, que não queria mais passar a vida sem aquela sensação. Mas mudei de cidade, percorri outras casas e, há um ano, trabalho na Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Branca.
Lá, temos estudos, lemos o Evangelho Segundo o Espiritismo e o Zé Ambrósio, responsável por conduzir a leitura e reflexão, no início de setembro, é quem me inspira a escrever esse texto. “Deus não perdoa”! Ele disse isso de forma categórica. E tudo pra mim fez sentido.
Todos nós conhecemos a lei do retorno, se não a espiritual, pelo menos já ouvimos falar da Terceira Lei de Newton que diz que para toda ação, há uma reação de mesma força, mas em sentidos opostos. Se Deus perdoa, por que nossas ações retornam? Por que quando fazemos o bem, recebemos o bem e quando fazemos o mal, recebemos o mal?
Se Deus de fato perdoasse, por que precisaríamos de uma lei de retorno de nossas ações? Ele simplesmente perdoaria e pronto, seguiríamos com nossas vidas. Mas é o contrário, uma hora, somos cobrados, porém, diferente da Lei de Newton, nós não sabemos quando! Quer outra prova de que Deus não é clemente aos nossos erros? “Pedro, embainha tua espada, quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
A lei da causa e dos efeitos está ai para nos lembrar que, se amarmos ao próximo, como a nós mesmos, só colheremos bons frutos. Se não julgarmos, se não matarmos, se tratarmos a todos com respeito, não há o que temer. Estamos aqui pra isso: aprender. Mas se fizéssemos tudo ao contrário e Deus nos perdoasse, de que forma aprenderíamos? Simples, não aprenderíamos e erraríamos constantemente.
Depois desse dia, fui tomada de um alívio absurdo! Sei que magoei algumas pessoas, mas isso nunca foi intencional e em alguns casos, creio que já fui punida. Porém, deliberadamente jamais desejei o mal a quem quer que fosse, mesmo aos que me feriram. Confesso que perdoar sempre foi difícil pra mim, na minha cabeça eu apenas deveria apagar o episódio e as pessoas envolvidas. Era meu jeito de perdoar, apenas esquecer o assunto, ou tentar fazer isso. Hoje, me sinto à vontade para não perdoar mais ninguém!
Eu apenas acredito, com toda a minha força, com toda a minha fé, que Deus, que o universo providenciará o aprendizado e que o que fizeram pra mim, retornará. Não pelas minhas mãos, mas pela força de algo que está acima de todos nós. É claro, ainda não sou iluminada o suficiente, então eu peço sim que quando a pessoa estiver pagando por algo que fez a mim, que ela se lembre do ocorrido. Tudo bem, não deveria fazer isso, mas é um mundo de provas e expiações, não sou perfeita, ainda.
Depois da aula, duas coisas muito, muito boas ocorreram comigo. Fui convidada para ser uma das oradoras da turma de Promotoras Legais Populares e indicada a uma premiação jornalística. Já disse aqui sobre o bullying sofrido na infância e adolescência. No último dia de aula de Ensino Fundamental, por exemplo, tudo o que desejei era ser a “Carrie, a estranha” e atear fogo na escola com aqueles infelizes todos dentro. Não deu certo, eu não tinha os poderes da Carrie. Eu não sei como estão hoje cada uma daquelas almas que fizeram da minha infância e adolescência um inferno, mas eu, eu estou exatamente onde queria estar. Eu sou reconhecida pelas pessoas com as quais eu me importo e nunca na minha vida eu imaginei que um dia seria convidada a ser oradora de qualquer coisa. E fui, alguém acha que eu as represento bem e isso é uma honra para a garota gorda, CDF, de óculos que ainda existe aqui e que só se fortaleceu!
Sobre a premiação jornalística, saberei se sou a ganhadora ou não nessa noite, e essa tem um gosto muito especial. Porque eu saí do lugar para onde escrevi a matéria por supostamente não ter conseguido fazer da publicação uma revista técnica, mas eu tentei. Porém, no meio do caminho havia uma pedra. Eu terminei essa matéria dentro de um quarto de hospital, operada do apêndice. É uma premiação destinada a publicações técnicas. Eu não quero nem saber como está a pedra do meio do caminho, a minha recompensa veio em forma de justiça. E se vieram meus louros por boas ações, tenho certeza que cada um vai ter aquilo que merece. De minha parte, só posso dizer que estou feliz da vida, satisfeita e contente por ser a pessoa que eu sou. Mais que isso, me sinto merecedora e recompensada por ter agido sempre baseada nos meus princípios. Obrigada, Deus. Obrigada, universo!
E toma aqui pra vocês, que eu não sou obrigada!
Lá, temos estudos, lemos o Evangelho Segundo o Espiritismo e o Zé Ambrósio, responsável por conduzir a leitura e reflexão, no início de setembro, é quem me inspira a escrever esse texto. “Deus não perdoa”! Ele disse isso de forma categórica. E tudo pra mim fez sentido.
Todos nós conhecemos a lei do retorno, se não a espiritual, pelo menos já ouvimos falar da Terceira Lei de Newton que diz que para toda ação, há uma reação de mesma força, mas em sentidos opostos. Se Deus perdoa, por que nossas ações retornam? Por que quando fazemos o bem, recebemos o bem e quando fazemos o mal, recebemos o mal?
Se Deus de fato perdoasse, por que precisaríamos de uma lei de retorno de nossas ações? Ele simplesmente perdoaria e pronto, seguiríamos com nossas vidas. Mas é o contrário, uma hora, somos cobrados, porém, diferente da Lei de Newton, nós não sabemos quando! Quer outra prova de que Deus não é clemente aos nossos erros? “Pedro, embainha tua espada, quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
A lei da causa e dos efeitos está ai para nos lembrar que, se amarmos ao próximo, como a nós mesmos, só colheremos bons frutos. Se não julgarmos, se não matarmos, se tratarmos a todos com respeito, não há o que temer. Estamos aqui pra isso: aprender. Mas se fizéssemos tudo ao contrário e Deus nos perdoasse, de que forma aprenderíamos? Simples, não aprenderíamos e erraríamos constantemente.
Depois desse dia, fui tomada de um alívio absurdo! Sei que magoei algumas pessoas, mas isso nunca foi intencional e em alguns casos, creio que já fui punida. Porém, deliberadamente jamais desejei o mal a quem quer que fosse, mesmo aos que me feriram. Confesso que perdoar sempre foi difícil pra mim, na minha cabeça eu apenas deveria apagar o episódio e as pessoas envolvidas. Era meu jeito de perdoar, apenas esquecer o assunto, ou tentar fazer isso. Hoje, me sinto à vontade para não perdoar mais ninguém!
Eu apenas acredito, com toda a minha força, com toda a minha fé, que Deus, que o universo providenciará o aprendizado e que o que fizeram pra mim, retornará. Não pelas minhas mãos, mas pela força de algo que está acima de todos nós. É claro, ainda não sou iluminada o suficiente, então eu peço sim que quando a pessoa estiver pagando por algo que fez a mim, que ela se lembre do ocorrido. Tudo bem, não deveria fazer isso, mas é um mundo de provas e expiações, não sou perfeita, ainda.
Depois da aula, duas coisas muito, muito boas ocorreram comigo. Fui convidada para ser uma das oradoras da turma de Promotoras Legais Populares e indicada a uma premiação jornalística. Já disse aqui sobre o bullying sofrido na infância e adolescência. No último dia de aula de Ensino Fundamental, por exemplo, tudo o que desejei era ser a “Carrie, a estranha” e atear fogo na escola com aqueles infelizes todos dentro. Não deu certo, eu não tinha os poderes da Carrie. Eu não sei como estão hoje cada uma daquelas almas que fizeram da minha infância e adolescência um inferno, mas eu, eu estou exatamente onde queria estar. Eu sou reconhecida pelas pessoas com as quais eu me importo e nunca na minha vida eu imaginei que um dia seria convidada a ser oradora de qualquer coisa. E fui, alguém acha que eu as represento bem e isso é uma honra para a garota gorda, CDF, de óculos que ainda existe aqui e que só se fortaleceu!
Sobre a premiação jornalística, saberei se sou a ganhadora ou não nessa noite, e essa tem um gosto muito especial. Porque eu saí do lugar para onde escrevi a matéria por supostamente não ter conseguido fazer da publicação uma revista técnica, mas eu tentei. Porém, no meio do caminho havia uma pedra. Eu terminei essa matéria dentro de um quarto de hospital, operada do apêndice. É uma premiação destinada a publicações técnicas. Eu não quero nem saber como está a pedra do meio do caminho, a minha recompensa veio em forma de justiça. E se vieram meus louros por boas ações, tenho certeza que cada um vai ter aquilo que merece. De minha parte, só posso dizer que estou feliz da vida, satisfeita e contente por ser a pessoa que eu sou. Mais que isso, me sinto merecedora e recompensada por ter agido sempre baseada nos meus princípios. Obrigada, Deus. Obrigada, universo!
E toma aqui pra vocês, que eu não sou obrigada!
quarta-feira, agosto 21, 2013
Minha história com o Raul
Hoje, faz 24 anos que o Raulzito foi arregaçar em alguma outra dimensão. Era um domingo, eu brincava com umas vizinhas e a prima delas, um pouco mais velha lamentou a morte dele. Na ápoca, eu o conhecia mais pela figura que me chamava atenção do que pelas músicas. Achava divertidas, mas entendia quase nada. Ai, lá pros 13 anos, sofrendo toda espécie de bullying que uma criança gorda, de óculos e CDF podia sofrer, eu redescobri o Raul nessa música. De certa forma, sobrevivi aquela merda toda com a ajuda dele! E acho que foi uma boa companhia!
sexta-feira, agosto 09, 2013
O meu homem
Eu dou casa, comida e roupa lavada para o homem, com a cara do Benício del Toro, que me cantar e fazer o que promete nessa música. Acho uma troca justa!
terça-feira, julho 23, 2013
Não há no mundo
Eu sou incapaz de dizer não a ele, mesmo sabendo que ele merecia todas as negativas do mundo.
Eu não consigo dizer não porque não há no mundo quem me conheça tão bem. Não há no mundo quem fale comigo como ele. Não há no mundo quem me toque como ele. Não há no mundo quem me faça rir como ele. Não há melhor companhia no mundo melhor que a dele.
Não houve no mundo quem tenha me magoado como ele e isso simplesmente não importa, porque quando ele me chama, embora minha mente diga "não vá", todo o resto do meu corpo só que se juntar ao dele.
Eu não consigo dizer não porque não há no mundo quem me conheça tão bem. Não há no mundo quem fale comigo como ele. Não há no mundo quem me toque como ele. Não há no mundo quem me faça rir como ele. Não há melhor companhia no mundo melhor que a dele.
Não houve no mundo quem tenha me magoado como ele e isso simplesmente não importa, porque quando ele me chama, embora minha mente diga "não vá", todo o resto do meu corpo só que se juntar ao dele.
quinta-feira, julho 18, 2013
Todo poder às mulheres
São tempos sombrios para nós
mulheres! Em pleno século 21, ainda nos debatemos e nos desgastamos com
questões que há muito já deveriam estar esclarecidas e bem resolvidas. O aborto
é um delas. Se o óbito é oficialmente decretado quando cessa a atividade
cerebral, é lógico que a vida só seja considerada iniciada a partir do momento em
que o cérebro é formado, após o terceiro mês de gestação.
Essa é a lógica utilizada em países desenvolvidos, onde a interrupção da gravidez é legal. A relação entre leis mais flexíveis e desenvolvimento social pode ser observada no Mapa da Legislação sobre o Aborto, que o Center for Reproductive Rights (Centro de Direitos Reprodutivos), ONG sediada em Nova York, montou ao pesquisar a legislação em 196 países e estados independentes. O mapeamento divide o planeta em cinco categorias vermelho, vinho, laranja, azul e verde. Pela ordem, vai das leis mais duras às mais flexíveis. O aborto, no Brasil, é tratado como no Haiti, no Paraguai e no Burundi. Vale lembrar, somente México, Cuba e mais recentemente o Uruguay – todo meu amor ao seu Pepe Mujica – possuem legislações abrangentes sobre o aborto na América Latina.
Sendo assim, figuramos
no bloco vermelho ao lado das 68 nações mais pobres, onde vivem 25,9% do povo
global. Em
suma, apesar dos avanços econômicos e sociais, dos últimos anos, estamos alinhados ao atraso quando o assunto é direito
sexual e reprodutivo, direitos das mulheres em decidir sobre o próprio corpo
para sermos mais exatas.
Em geral, as
nações que criminalizam o aborto são as que exibem o pior desempenho social, os
maiores índices de corrupção e violência e também os mais altos níveis de
desrespeito às liberdades individuais. Ficou
curiosa? Veja os dados aqui.
Para piorar a situação, o crescente poder da denominada “bancada evangélica” promete grandes estragos aos pífios direitos conquistados pelas brasileiras no que tange planejamento familiar e reprodutivo. Basta ver a proposta do famigerado Estatuto do Nascituro, que dá a um conjunto de células humanas direitos e obrigações absolutas ao Estado brasileiro, algumas delas superiores aos direitos das mulheres. Mais informações sobre o projeto de lei que deve cair, por ser inconstitucional, leia aqui.
Para piorar a situação, o crescente poder da denominada “bancada evangélica” promete grandes estragos aos pífios direitos conquistados pelas brasileiras no que tange planejamento familiar e reprodutivo. Basta ver a proposta do famigerado Estatuto do Nascituro, que dá a um conjunto de células humanas direitos e obrigações absolutas ao Estado brasileiro, algumas delas superiores aos direitos das mulheres. Mais informações sobre o projeto de lei que deve cair, por ser inconstitucional, leia aqui.
A última de Feliciano
E a dança com um passo para a frente e dois para trás não cessa. Essa semana, Senado e Câmara aprovaram o Projeto de Lei da Câmara dos Deputados (PLC) 03/13, que determina o atendimento imediato em hospitais das vítimas de violência sexual. Ótimo, nós esperamos mesmo que médicos e profissionais da saúde tenham mais sensibilidade que os cães do Estado para lidarem com a situação, mas eis que o demônio travestido de pastor, Marco Feliciano, pediu o veto de dois trechos. Um refere-se ao termo "profiilaxia" e o outro sobre o "fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis".
Para o deputado, o fornecimento de informações deve ser vetado, pois não cabe a hospitais oferecer orientação jurídica às vítimas. “Essa é uma responsabilidade das delegacias de polícia e autoridades competentes.” Que ele seria contra o termo profilaxia (que abre uma brecha para a realização de abortos) poderíamos imaginar, mas indicar o veto ao fornecimento de informações é nos mandar direto para a idade das trevas. Quer vomitar? Leia as pérolas do pastor do apocalipse aqui.
Por um mundo com mais mulheres no poder
Esse tipo de cenário é o que me fez adotar a postura de que mulher tem que votar em mulher. Claro, não é mulher tipo a Kátia Abreu, mas nós precisamos desesperadamente de mulheres no poder!
Mulheres dispostas a brigar para que nossos direitos sejam respeitados. Para que tenhamos acesso a planejamento familiar e para que possamos SIM interromper uma gravidez, quando julgarmos não haver condições econômicas, sociais ou psicológicas para sermos mães. Causas que estão muito além do que os motivos para os quais a interrupção ainda é permitida no Brasil.
Precisamos de mulheres no poder dispostas a sanar o problema da falta de creches em todo o país e que afeta dramaticamente a condição financeira das famílias, bem como coloca em risco nossas crianças, que ficam sozinhas ou sob os cuidados dos irmãos maiores para que os pais possam trabalhar.
Precisamos de mulheres dispostas a peitarem os poderes judiciário e executivo, no que tange o cumprimento da Lei Maria da Penha e que sofre resistência machista por parte dessas instâncias que NÃO cumprem a lei – o que aconteceu com dona Luana Piovani ocorre TODOS os dias dentro de DDMs, fóruns, varas familiares etc!
Precisamos de mulheres no poder dispostas a defender o SUS, a saúde pública, gratuita e de qualidade, para que nossos índices de mortalidade infantil diminuam e nosso saneamento básico nos encha de orgulho e não mate mais gente por diarreia!
É preciso eleger mulheres comprometidas com essas causas e dispostas a enfrentarem o patriarcado em prol da liberdade e qualidade de vida para todas as mulheres!
Maioria eleitoral, mas sem representatividade
Em
2010, tive a oportunidade de trabalhar como assessora de uma candidata ao cargo
de deputada federal. Durante a campanha, foi visível a dificuldade em superar o
fato de que, apesar de ser uma mulher extremamente preparada, doutora, líder feminista
na cidade, vereadora bem votada anteriormente e eleita a primeira presidente
mulher da câmara, muitos homens indicavam que sua maior dificuldade na campanha
seria superar o fato de ser mulher. Só faltou ela ter que se desculpar
por carregar uma vagina. Várias foram as
vezes em que a imaginei soltando: “desculpa, gente, é só minha vagina, não é a
esfinge olhando pra vocês e os desafiando com um belo decifra-me ou devoro-te”!
A verdade é que apesar de haver cotas para mulheres integrarem as esferas de poder, há uma imensa dificuldade dos partidos em cumpri-las. Mais que isso, sempre que o tema é debatido, é comum vermos homens justificando tal dificuldade como falta de preparo e de interesse das mulheres pela vida política. Nós sabemos que isso não é verdade.
A carga de trabalho, dentro e fora do espaço doméstico, e a falta de participação dos homens na última instância são alguns dos percalços que dificultam a entrada das mulheres na política. Soma-se a isso o fato de que dentro dos partidos, em eventos de formação, por exemplo, as mulheres ainda são deixadas fora do protagonismo dessas atividades. A elas cabem tarefas como organização, limpeza e providências quanto à alimentação. Essa é uma realidade encontrada inclusive dentro de partidos de esquerda que deveriam adotar uma postura mais revolucionária e de quebra de paradigmas. Aqui um desabafo: partidos de esquerda não sabem lidar com questões de gênero e raça. Colocam a luta de classes acima de tudo e não resolvem nem uma coisa, nem outra. Quem já leu “O poder do macho”, da gloriosa Heleieth Saffiotti sabe do que estou falando.
Participação das mulheres na política nacional
Desde que as cotas foram estabelecidas, em 1995, os partidos e coligações foram obrigados a reservar para as mulheres 20% das candidaturas disponíveis, mas os resultados foram insatisfatórios. Em 1997, a reserva para as candidaturas femininas subiu de 20% para 30%, mas como a lei obrigava os partidos a “reservar” as vagas, eles entenderam que não estavam obrigados a efetivamente preenchê-las. PICARETAS!
Na verdade, o estabelecimento de cotas para mulheres nas eleições brasileiras foi reflexo de um movimento mundial. Ainda em 1995, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher. No documento final, os países se comprometeram a executar políticas que favorecessem a igualdade entre homens e mulheres. As cotas nas eleições ganharam o mundo. Houve avanços dignos de aplausos, como no México, onde a participação das mulheres no Parlamento saltou de 14,2% para 36,8% em apenas 15 anos. Na França, de 6,4% para 26,9%.
Porém, o Brasil continua sendo uma vergonha. Nas eleições do ano passado, 13,3% dos vereadores eleitos foram do sexo feminino. Em Florianópolis e Palmas, nenhuma mulher se elegeu, apesar de as mulheres serem 51% da população brasileira e 52% do eleitorado.
Segundo dados da União Interparlamentar (IPU), de 190 países, o Brasil ocupa a 158ª posição (8,6% de mulheres) em ranking baseado na composição parlamentar. Na política, as mulheres do Iraque (25,2%), do Afeganistão (27,7%) e de Moçambique (39,2%) estão em melhor situação do que as brasileiras.
Como curiosidade, vale mencionar que a Câmara dos Deputados é formada por 513 políticos dos quais somente 46 são mulheres. No senado, de 81 políticos, apenas dez são mulheres, sendo que Marta Suplicy e Gleisi Hoffmann estão licenciadas. Chega a ser constrangedor, mas explica muita coisa! Como é que tão poucas mulheres podem dar conta de demandas tão importantes como o direito ao aborto, ou a queda do Estatuto do Nascituro? São questões muito particulares do universo feminino e pelas quais sempre sofremos, fomos responsabilizadas, criminalizadas. Homens não podem deliberar sobre esses assuntos. Homens têm que levar adiante o que nós definirmos para essas pautas!
Desde 2010, adotei como conduta política votar apenas em mulheres. Mulheres que eu acredito que tomarão essas lutas para elas. Mulheres que podem colocar a bancada evangélica em seu lugar, de onde nunca deveria ter saído: de dentro das igrejas e somente lá dentro, afundando na lama de seus próprios pecados. Em 2014 teremos novas eleições, parece distante, mas está ai. Comecemos a preparar nossas lideranças mulheres para o pleito, comecemos agora a disseminar essa ideia. Precisamos de mulheres preparadas no poder, precisamos eleger essas mulheres, é uma responsabilidade de todas nós! Saudações feministas!
E a dança com um passo para a frente e dois para trás não cessa. Essa semana, Senado e Câmara aprovaram o Projeto de Lei da Câmara dos Deputados (PLC) 03/13, que determina o atendimento imediato em hospitais das vítimas de violência sexual. Ótimo, nós esperamos mesmo que médicos e profissionais da saúde tenham mais sensibilidade que os cães do Estado para lidarem com a situação, mas eis que o demônio travestido de pastor, Marco Feliciano, pediu o veto de dois trechos. Um refere-se ao termo "profiilaxia" e o outro sobre o "fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis".
Para o deputado, o fornecimento de informações deve ser vetado, pois não cabe a hospitais oferecer orientação jurídica às vítimas. “Essa é uma responsabilidade das delegacias de polícia e autoridades competentes.” Que ele seria contra o termo profilaxia (que abre uma brecha para a realização de abortos) poderíamos imaginar, mas indicar o veto ao fornecimento de informações é nos mandar direto para a idade das trevas. Quer vomitar? Leia as pérolas do pastor do apocalipse aqui.
Por um mundo com mais mulheres no poder
Esse tipo de cenário é o que me fez adotar a postura de que mulher tem que votar em mulher. Claro, não é mulher tipo a Kátia Abreu, mas nós precisamos desesperadamente de mulheres no poder!
Mulheres dispostas a brigar para que nossos direitos sejam respeitados. Para que tenhamos acesso a planejamento familiar e para que possamos SIM interromper uma gravidez, quando julgarmos não haver condições econômicas, sociais ou psicológicas para sermos mães. Causas que estão muito além do que os motivos para os quais a interrupção ainda é permitida no Brasil.
Precisamos de mulheres no poder dispostas a sanar o problema da falta de creches em todo o país e que afeta dramaticamente a condição financeira das famílias, bem como coloca em risco nossas crianças, que ficam sozinhas ou sob os cuidados dos irmãos maiores para que os pais possam trabalhar.
Precisamos de mulheres dispostas a peitarem os poderes judiciário e executivo, no que tange o cumprimento da Lei Maria da Penha e que sofre resistência machista por parte dessas instâncias que NÃO cumprem a lei – o que aconteceu com dona Luana Piovani ocorre TODOS os dias dentro de DDMs, fóruns, varas familiares etc!
Precisamos de mulheres no poder dispostas a defender o SUS, a saúde pública, gratuita e de qualidade, para que nossos índices de mortalidade infantil diminuam e nosso saneamento básico nos encha de orgulho e não mate mais gente por diarreia!
É preciso eleger mulheres comprometidas com essas causas e dispostas a enfrentarem o patriarcado em prol da liberdade e qualidade de vida para todas as mulheres!
Maioria eleitoral, mas sem representatividade
A verdade é que apesar de haver cotas para mulheres integrarem as esferas de poder, há uma imensa dificuldade dos partidos em cumpri-las. Mais que isso, sempre que o tema é debatido, é comum vermos homens justificando tal dificuldade como falta de preparo e de interesse das mulheres pela vida política. Nós sabemos que isso não é verdade.
A carga de trabalho, dentro e fora do espaço doméstico, e a falta de participação dos homens na última instância são alguns dos percalços que dificultam a entrada das mulheres na política. Soma-se a isso o fato de que dentro dos partidos, em eventos de formação, por exemplo, as mulheres ainda são deixadas fora do protagonismo dessas atividades. A elas cabem tarefas como organização, limpeza e providências quanto à alimentação. Essa é uma realidade encontrada inclusive dentro de partidos de esquerda que deveriam adotar uma postura mais revolucionária e de quebra de paradigmas. Aqui um desabafo: partidos de esquerda não sabem lidar com questões de gênero e raça. Colocam a luta de classes acima de tudo e não resolvem nem uma coisa, nem outra. Quem já leu “O poder do macho”, da gloriosa Heleieth Saffiotti sabe do que estou falando.
Participação das mulheres na política nacional
Desde que as cotas foram estabelecidas, em 1995, os partidos e coligações foram obrigados a reservar para as mulheres 20% das candidaturas disponíveis, mas os resultados foram insatisfatórios. Em 1997, a reserva para as candidaturas femininas subiu de 20% para 30%, mas como a lei obrigava os partidos a “reservar” as vagas, eles entenderam que não estavam obrigados a efetivamente preenchê-las. PICARETAS!
Na verdade, o estabelecimento de cotas para mulheres nas eleições brasileiras foi reflexo de um movimento mundial. Ainda em 1995, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher. No documento final, os países se comprometeram a executar políticas que favorecessem a igualdade entre homens e mulheres. As cotas nas eleições ganharam o mundo. Houve avanços dignos de aplausos, como no México, onde a participação das mulheres no Parlamento saltou de 14,2% para 36,8% em apenas 15 anos. Na França, de 6,4% para 26,9%.
Porém, o Brasil continua sendo uma vergonha. Nas eleições do ano passado, 13,3% dos vereadores eleitos foram do sexo feminino. Em Florianópolis e Palmas, nenhuma mulher se elegeu, apesar de as mulheres serem 51% da população brasileira e 52% do eleitorado.
Segundo dados da União Interparlamentar (IPU), de 190 países, o Brasil ocupa a 158ª posição (8,6% de mulheres) em ranking baseado na composição parlamentar. Na política, as mulheres do Iraque (25,2%), do Afeganistão (27,7%) e de Moçambique (39,2%) estão em melhor situação do que as brasileiras.
Como curiosidade, vale mencionar que a Câmara dos Deputados é formada por 513 políticos dos quais somente 46 são mulheres. No senado, de 81 políticos, apenas dez são mulheres, sendo que Marta Suplicy e Gleisi Hoffmann estão licenciadas. Chega a ser constrangedor, mas explica muita coisa! Como é que tão poucas mulheres podem dar conta de demandas tão importantes como o direito ao aborto, ou a queda do Estatuto do Nascituro? São questões muito particulares do universo feminino e pelas quais sempre sofremos, fomos responsabilizadas, criminalizadas. Homens não podem deliberar sobre esses assuntos. Homens têm que levar adiante o que nós definirmos para essas pautas!
Desde 2010, adotei como conduta política votar apenas em mulheres. Mulheres que eu acredito que tomarão essas lutas para elas. Mulheres que podem colocar a bancada evangélica em seu lugar, de onde nunca deveria ter saído: de dentro das igrejas e somente lá dentro, afundando na lama de seus próprios pecados. Em 2014 teremos novas eleições, parece distante, mas está ai. Comecemos a preparar nossas lideranças mulheres para o pleito, comecemos agora a disseminar essa ideia. Precisamos de mulheres preparadas no poder, precisamos eleger essas mulheres, é uma responsabilidade de todas nós! Saudações feministas!
segunda-feira, julho 15, 2013
Sangue novo, sangue bom
Eu gosto do jeito como você fala e das coisas que escreve
Eu gosto de saber que as coisas que sabe foram aprendidas
com a vida e não ensinadas na escola
Eu gosto de perceber que o que pode me ensinar são coisas
que nenhuma outra pessoa fará por mim
Eu gosto de dar risada com você e de beber cerveja, mesmo quando
é Brahma, enquanto você tem ideias e fala sem parar
Eu gosto do jeito como a gente, às vezes, parece deslocado
de todo o resto do mundo, ser pária é para poucos, fortes e bravos
Eu odeio quando me chama de Paty e imagina toda uma vida que
eu na realidade não tive
Mas eu me divirto e aprendo com você, porque a troca é
sincera e verdadeira, aprender junto é uma das delícias de encontrar algumas
pessoas pelo caminho!
quinta-feira, março 07, 2013
Django tupiniquim
Quando soube que o Ministro Joaquim Barbosa assumiria o cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal fiquei muito feliz. Afinal, só quem é negro,ou tem familiares negros sabe a dificuldade que é conquistar espaço num país racista. E se você é negro e pobre os percalços se tornam hercúleo.
Apesar da conquista de Barbosa ser um feito que deve ser comemorado por todos nós, me chamou a atenção a maneira como a mídia branca e de direita passou a enaltecer o ministro. Pra quem estudou um pouco semiótica e se dedicou a perder cinco minutos de reflexão, estava claro a intenção da mídia em construir um herói para combater quem? Os bandidos feios, sujos e malvados do mensalão. E ninguém melhor que Joaquim Barbosa para cumprir esse papel.
O “menino pobre que mudou o Brasil” na capa da reacionária Veja, tinha a trajetória clássica do herói de Campbell: pobre, filho de um pedreiro e uma mãe analfabeta, adorava ler, estudou, se empenhou, venceu por mérito próprio e agora? Era o herói que o Brasil precisava para combater a "quadrilha" petista.
O que essa mídia não contava é que Joaquim Barbosa é um destemperado. Durante o julgamento do mensalão, foram várias as ocasiões em que o ministro pesou a mão, às vezes, beirando a grosseria. Quem não se lembra do embaraçoso episódio em que ele disse ao colega Lewandowski, que deveria voltar à universidade e estudar mais. Totalmente desnecessário, mas ilustra bem a personalidade do ministro.
Pois bem, os principais acusados já foram julgados, então para que mais Joaquim Barbosa pode servir ao PIG (Partido da Mídia Golpista)? A mais nada! Nosso Django tupiniquim já cumpriu sua trajetória e pode voltar para a senzala.
Terça-feira, Barbosa deu o tiro de misericórdia na sua relação com os grandes conglomerados de nossa comunicação. O ministro mandou um repórter que trabalha para o Estadão "chafurdar no lixo". Dois dias depois, o jornal solta editorial intitulado “Os barracos do STF”,no qual enumera os “deslizes” de Barbosa e afirma que o estilo do relator deve preocupar, tendo em vista que a partir de 18 de março, ele assume o cargo de presidente do STF, no lugar de Carlos Ayres Britto. “E de forma alguma é descabido perguntar se ele sabe que terá de domar o seu temperamento para conduzir o tribunal com a paciência e o comedimento demonstrados por Ayres Britto - duramente testados, aliás, nos 'barracos' que teve de acalmar no curso deste julgamento”. Não apenas diz que ele deve se portar como o branco fino que o antecedeu, como sugere que seu gênio deve ser “domado”.
Além do editorial do Estadão, Merval Pereira, Dora Kramer e Marco Aurélio Mello já haviam indicado que o destempero de Joaquim Barbosa era prejudicial ao cargo que ocupará em breve. Indico aqui o ótimo artigo do Brasil 247, “Elite começa a descobrir o monstro criado no STF”.
Agora me diga, querem ou não querem enxotar o Barbosa da casa grande? Quando eu expressei essa opinião, hoje cedo, em post do Facebook, alguém veio me dizer que sou racista. Infelizmente ironia é para poucos. O fato é que eu não sou racista, a mídia brasileira é. Quando eu cheguei por aqui, essa merda toda já existia, a única coisa que fiz foi refletir sobre ela. E nesse mundo de homem branco, heterossexual e rico, os negros só têm vez quando os brancos donos do poder deixam.
Se depender de mim, Joaquim Barbosa passará. O meio jurídico é todo polido, vossa excelência pra lá, doutor sem título pra cá. As pessoas se chocam com Barbosa porque ele foge à regra. E o que esperar de um homem negro e pobre que chegou no posto que ele chegou? Não foi baixando a cabeça que ele conseguiu. Foi peitando todo o mundo. Adoro o jeito dele, menos quando é desrespeitoso. Mas quando é ácido, ele é um espetáculo!
Apesar da conquista de Barbosa ser um feito que deve ser comemorado por todos nós, me chamou a atenção a maneira como a mídia branca e de direita passou a enaltecer o ministro. Pra quem estudou um pouco semiótica e se dedicou a perder cinco minutos de reflexão, estava claro a intenção da mídia em construir um herói para combater quem? Os bandidos feios, sujos e malvados do mensalão. E ninguém melhor que Joaquim Barbosa para cumprir esse papel.
O “menino pobre que mudou o Brasil” na capa da reacionária Veja, tinha a trajetória clássica do herói de Campbell: pobre, filho de um pedreiro e uma mãe analfabeta, adorava ler, estudou, se empenhou, venceu por mérito próprio e agora? Era o herói que o Brasil precisava para combater a "quadrilha" petista.
O que essa mídia não contava é que Joaquim Barbosa é um destemperado. Durante o julgamento do mensalão, foram várias as ocasiões em que o ministro pesou a mão, às vezes, beirando a grosseria. Quem não se lembra do embaraçoso episódio em que ele disse ao colega Lewandowski, que deveria voltar à universidade e estudar mais. Totalmente desnecessário, mas ilustra bem a personalidade do ministro.
Pois bem, os principais acusados já foram julgados, então para que mais Joaquim Barbosa pode servir ao PIG (Partido da Mídia Golpista)? A mais nada! Nosso Django tupiniquim já cumpriu sua trajetória e pode voltar para a senzala.
Terça-feira, Barbosa deu o tiro de misericórdia na sua relação com os grandes conglomerados de nossa comunicação. O ministro mandou um repórter que trabalha para o Estadão "chafurdar no lixo". Dois dias depois, o jornal solta editorial intitulado “Os barracos do STF”,no qual enumera os “deslizes” de Barbosa e afirma que o estilo do relator deve preocupar, tendo em vista que a partir de 18 de março, ele assume o cargo de presidente do STF, no lugar de Carlos Ayres Britto. “E de forma alguma é descabido perguntar se ele sabe que terá de domar o seu temperamento para conduzir o tribunal com a paciência e o comedimento demonstrados por Ayres Britto - duramente testados, aliás, nos 'barracos' que teve de acalmar no curso deste julgamento”. Não apenas diz que ele deve se portar como o branco fino que o antecedeu, como sugere que seu gênio deve ser “domado”.
Além do editorial do Estadão, Merval Pereira, Dora Kramer e Marco Aurélio Mello já haviam indicado que o destempero de Joaquim Barbosa era prejudicial ao cargo que ocupará em breve. Indico aqui o ótimo artigo do Brasil 247, “Elite começa a descobrir o monstro criado no STF”.
Agora me diga, querem ou não querem enxotar o Barbosa da casa grande? Quando eu expressei essa opinião, hoje cedo, em post do Facebook, alguém veio me dizer que sou racista. Infelizmente ironia é para poucos. O fato é que eu não sou racista, a mídia brasileira é. Quando eu cheguei por aqui, essa merda toda já existia, a única coisa que fiz foi refletir sobre ela. E nesse mundo de homem branco, heterossexual e rico, os negros só têm vez quando os brancos donos do poder deixam.
Se depender de mim, Joaquim Barbosa passará. O meio jurídico é todo polido, vossa excelência pra lá, doutor sem título pra cá. As pessoas se chocam com Barbosa porque ele foge à regra. E o que esperar de um homem negro e pobre que chegou no posto que ele chegou? Não foi baixando a cabeça que ele conseguiu. Foi peitando todo o mundo. Adoro o jeito dele, menos quando é desrespeitoso. Mas quando é ácido, ele é um espetáculo!
sábado, março 02, 2013
O feminismo, uma pequena visão da morte e eu...
Como bem disse Woody Allen, final de ano é perigoso porque há muitas pessoas por ai andando sem supervisão. Por supervisão, subtenda-se terapia. Sim, sou adepta. Rumo ao sétimo ano do melhor da terapia freudiana e apesar de concorda com Allen, final de ano também é pra mim um momento de introspecção para rever escolhas, caminhos.
Em dezembro, pouco antes do Natal, rompi uma amizade. Rompimentos nunca são fáceis, mas aprendi a fazer isso. O que não me serve, eu simplesmente deixo ir embora, porque até que se prove o contrário, vou passar por essa vida somente uma vez, então, por favor, seja legal comigo, pode ser sua única oportunidade. Tento fazer o mesmo com os outros.
O fato é que esse rompimento me trouxe uma série de questionamentos e constatações. A primeira delas, como eu gostaria de ter deixado o Feminismo fazer parte da minha vida antes. É claro que ele já estava lá, como na tarde em que completei dez anos e minha mãe me arrancou de cima de um muro porque “MENINAS NÃO SOBEM EM MUROS”, ela bradou. Naquela mesma tarde, eu sangrei pela primeira vez. O mundo nunca mais foi o mesmo.
Apesar disso, eu só fui militar no movimento após muito tempo e depois de, sim, ter pulado muitos muros, bem maiores do que o proibido por minha mãe. E foi disso que falei em minha primeira sessão de 2013. De como o feminismo mudou determinados comportamentos, me fez mais seletiva e de como ele teria influenciado algumas escolhas do passado com as quais eu não consegui ser mais firme, mesmo quando precisava. Questões que envolviam meu corpo, meus sentimentos, a maneira como me relacionei com algumas pessoas. Mas isso já passou, eu não tenho como fazer diferente, mas posso me tornar uma mulher melhor.
E isso passa por não aceitar comentários sexitas, mesmo que venham de pessoas que gosto muito. Menos ainda comentários preconceituosos e que demonstram nítido desprezo e ódio pelas mulheres. Pessoas dessa categoria não merecem estar ao meu lado. Porque eu simplemente não me importo com a roupa que as pessoas vestem, ou com o fato de elas tentarem parecer o que não são. Se elas e eles estão felizes, vivendo a mais dura realidade, ou a mais insana fantasia, isso não é da minha conta.
E isso tudo não me diz respeito porque a vida é muito curta. Em dezembro, um conhecido foi passear na Ilha do Mel. Eles escorregou, caiu no mar e morreu. Era uma pessoa ótima, saudável, capoeirista, fazia um trabalho lindo com a molecada. E ele simplesmente morreu. Tão jovem. Mas acho que viveu do jeito que quis o tempo que ficou por aqui. Isso não é ótimo?
No dia 10 de fevereiro, eu fui internada. Tive apendicite, uma pequena hemorragia e, mais 24 horas, ele teria supurado. Entre o susto de ter que fazer uma cirurgia de emergência, ter que tomar anestesia geral, que eu morro de medo - não sabemos se acordaremos do lado de lá ou de cá - eu me vi perguntando se eu estava vivendo a vida como queria.Sim.
Minha vida não é perfeita. Eu não conheci metade dos lugares que eu desejo, eu não fiz um mestrado, não li todos os livros que tenho na prateleira, não tive um filho e ainda não estou muito certa se quero ser mãe, eu não amei de novo da maneira que gostaria. Porém, em muitos sentidos, eu tenho levado a vida que eu acho digna. Uma vida coerente com o que penso, o que sinto e coloco em prática. E isso se intensificou muito depois do feminismo. Não foi sempre assim, mas as escolhas que fiz no passado também fazem parte da pessoa que sou hoje. Mesmo aquelas das quais me arrependo.
Não sei o que acontece depois que a gente morre e tenho pensado muito nisso. Não dá pra fugir, não é? A morte, às vezes, é angustiante porque simplesmente não temos a menor ideia do que acontece depois, se é que acontece algo. O que importa, então? Importa seguir coroando-se rainha ou rei de si, independente do que as pessoas pensam sobre você e o tanto quanto elas podem ser cruéis. São as minhas escolhas, é simplesmente entre eu e a maneira como quero levar a vida.
domingo, novembro 11, 2012
Existe machismo na esquerda
Ontem, meu sábado foi dedicado à causa feminista. Passei o dia num seminário intitulado “Há machismo na esquerda”. O evento foi articulado pelos coletivos Anastácia Livre, Mulheres do DAR, Revolução Preta e Violeta Parra.
Sim, sou feminista e isso não significa nem de longe que eu odeie homens ou que eu seja lésbica, associações muito comuns que os leigos ou pessoas maldosas costumam referenciar ao conceito. Sou feminista porque eu acredito que o fato de ter nascido com uma boceta no lugar de um pau me colocar em desigualdade histórica com os homens e eu não acho justo e não quero que aconteça com a minha mãe, com as minhas amigas, com minha sobrinha, com uma filha, se acaso eu tiver uma, e tampouco quero que aconteça com qualquer mulher conhecida ou desconhecida. Isso de uma forma bem básica.
Pois bem, em outubro, participei de um evento promovido pela Marcha das Vadias Sampa e me chamou muito a atenção o debate de algumas meninas presentes, que militam em movimentos sociais das mais variadas causas e que reclamavam do machismo sofrido nestes espaços. Isso ia desde ficarem responsáveis pela limpeza e organização dos espaços de encontro, em detrimento da participação nas discussões, até agressões físicas e verbais, quando se opunham ou questionavam decisões. Foi o que me levou ao evento de sábado. Era dedicado ao tema e achei que poderia me aprofundar na questão.
Bom, a primeira constatação foi que todos os presentes, mulheres e homens, assumiram a existência do problema. Acho que é o primeiro passo para combatê-lo, mas o que seguiu daí pra frente foi estarrecedor e me faz questionar muito se eu quero mesmo fazer parte desta esquerda que não é de nada há muito tempo. O que me deixou realmente chocada, foi ouvir de mulheres, não sei de quais movimentos, porque realmente tive medo de perguntar, que os casos de violência dentro dos grupos de esquerda devem ser resolvidos internamente, pois a Lei Maria da Penha serve para “encarcerar nossos militantes pobre e negros”.
Eu estava preparada para ouvir de um tudo, mas nunca achei que dentro de um evento promovido por grupos feministas eu escutaria alguém dizer que a Lei Maria da Penha era um retrocesso e servia de instrumento para promover a política podre de nossa polícia de discriminação. Não, definitivamente eu não estava preparada para isso. E vamos combinar, agressor não fica preso, ele paga meia dúzia de cestas básicas e volta pra casa pra ensinar a mulher como não denunciá-lo, batendo nela de novo.
Eu acredito sim que eventos violentos como não aceitar que as colegas se pronunciem, gritar, xingar são casos que podem ser resolvidos dentro das orgânicas do movimento, com diálogo, principalmente mostrando ao agressor que o movimento é de todos e que ele está reproduzindo o machismo, que nada mais é do que instrumento de poder da estrutura que eles combatem. Agora, não me venha dizer que casos de espancamentos e abusos devem ser combatidos dentro da estrutura do movimento porque eu não quero participar de movimento com caráter de PCC em que temos um tribunal paralelo.
Eu quero as vítimas sejam ouvidas, o que não vem ocorrendo, e quando houver violência física, seja de qual caráter for, que seja denunciada. Porque foram anos pedindo uma lei que punisse a violência contra a mulher, pra que ela seja colocada de lado sob o argumento de que devemos preservar a causa. Que movimento é este que precisa tanto ter um agressor em sua estrutura a ponto de orientar mulher a não denunciar seus agressores. Um movimento que precisa de um agressor em sua estrutura pra mim não serve. E é isso o que acaba ocorrendo, as mulheres abandonam estes espaços políticos, porque não se sentem seguras, enquanto os agressores continuam seus caminhos, como se nada houvesse ocorrido. Eu quero que os agressores sejam punidos, sejam eles brancos, pretos, ou azuis de bolinhas amarelas.
A segunda coisa que me deixou chocada foi o questionamento sobre a solidariedade à mulher. Bom, quem já teve contato com mulheres que sofreram violência sabem o quanto é difícil elas falarem sobre a violência. Elas sentem vergonha, medo e muitas vezes culpa que é inculcada pelo próprio agressor, como forma de mantê-la calada. Quando uma mulher chega a mim e diz que sofreu uma violência, serei sim solidária a ela, porque é uma mulher diante de você que está em seu limite, pedindo, socorro.
É claro que não apoio a Elisa Matsunaga ter feito picadinho do marido, mas eu tenho certeza, pelo perfil do morto, que a todo momento ele fazia questão de lembrá-la de onde ele havia a tirado, de como ela perderia a filha, que ela não passava de uma prostituta. E neste ponto, desculpa, sou solidária a Elisa, MAS também quero que ela vá para a cadeia porque matou um homem.
A mesma pessoa que apontou a Lei Maria da Penha como instrumento do Estado (conta uma novidade é uma lei), que questionou a solidariedade às vítimas, também condenou os escrachos como forma de apontar os agressores, citando o caso do escracho de um militante do Movimento Passe Livre. Ela, o nome da pessoa é Simone, disse que o escracho ao agressor foi feito num momento em que o Movimento estava com grande visibilidade da imprensa e por isso não deveria ter sido feito. Segundo a própria vítima, o escracho foi o que possibilitou a ela terminar as disciplinas que cursava e por isso, toda solidariedade a ela. O que coloco novamente à dona Simone, que eu gostaria muito que lesse este texto, é porque ela culpa a vítima e não o agressor pelo ocorrido? Quem estava ameaçando a ex-companheira era ele. Por que o movimento não tomou providências se era tão interessante não ter esta exposição negativa na mídia? E escracho por escracho, somos escrachadas todos os dias, quando passam por nós e nos chamam de gostosa, quando quebram nosso braço em balada porque não quisemos dar trela pro babaca! Vamos novamente culpar a vítima?
Movimentos sociais são construídos por indivíduos engajados que acreditam em determinadas causas. Não há movimento sem a participação destas pessoas. O movimento não se sustenta se estas pessoas não forem vistas como indivíduos, se os problemas relatados dentro da orgânica destes espaços não forem tratados com medidas assertivas e de acordo com sua gravidade. Se é esta esquerda que estão construindo, que precisa tanto de homens violentos para que o coletivo não se enfraqueça, desculpe, eu prefiro ficar em casa! E isso que ocorre quando uma vitima tem apoio negado nestes espaços.
Achei que estivesse pronta para militar em outras causas, que não somente as feministas, porque eu quero mesmo viver num mundo melhor, mas com a esquerda que vi ontem, prefiro me manter somente nos espaços feministas que frequento e que são seguros. Desta esquerda pelega e nauseante eu quero distância!
Solidariedade feminista SEMPRE!

Sim, sou feminista e isso não significa nem de longe que eu odeie homens ou que eu seja lésbica, associações muito comuns que os leigos ou pessoas maldosas costumam referenciar ao conceito. Sou feminista porque eu acredito que o fato de ter nascido com uma boceta no lugar de um pau me colocar em desigualdade histórica com os homens e eu não acho justo e não quero que aconteça com a minha mãe, com as minhas amigas, com minha sobrinha, com uma filha, se acaso eu tiver uma, e tampouco quero que aconteça com qualquer mulher conhecida ou desconhecida. Isso de uma forma bem básica.
Pois bem, em outubro, participei de um evento promovido pela Marcha das Vadias Sampa e me chamou muito a atenção o debate de algumas meninas presentes, que militam em movimentos sociais das mais variadas causas e que reclamavam do machismo sofrido nestes espaços. Isso ia desde ficarem responsáveis pela limpeza e organização dos espaços de encontro, em detrimento da participação nas discussões, até agressões físicas e verbais, quando se opunham ou questionavam decisões. Foi o que me levou ao evento de sábado. Era dedicado ao tema e achei que poderia me aprofundar na questão.
Bom, a primeira constatação foi que todos os presentes, mulheres e homens, assumiram a existência do problema. Acho que é o primeiro passo para combatê-lo, mas o que seguiu daí pra frente foi estarrecedor e me faz questionar muito se eu quero mesmo fazer parte desta esquerda que não é de nada há muito tempo. O que me deixou realmente chocada, foi ouvir de mulheres, não sei de quais movimentos, porque realmente tive medo de perguntar, que os casos de violência dentro dos grupos de esquerda devem ser resolvidos internamente, pois a Lei Maria da Penha serve para “encarcerar nossos militantes pobre e negros”.
Eu estava preparada para ouvir de um tudo, mas nunca achei que dentro de um evento promovido por grupos feministas eu escutaria alguém dizer que a Lei Maria da Penha era um retrocesso e servia de instrumento para promover a política podre de nossa polícia de discriminação. Não, definitivamente eu não estava preparada para isso. E vamos combinar, agressor não fica preso, ele paga meia dúzia de cestas básicas e volta pra casa pra ensinar a mulher como não denunciá-lo, batendo nela de novo.
Eu acredito sim que eventos violentos como não aceitar que as colegas se pronunciem, gritar, xingar são casos que podem ser resolvidos dentro das orgânicas do movimento, com diálogo, principalmente mostrando ao agressor que o movimento é de todos e que ele está reproduzindo o machismo, que nada mais é do que instrumento de poder da estrutura que eles combatem. Agora, não me venha dizer que casos de espancamentos e abusos devem ser combatidos dentro da estrutura do movimento porque eu não quero participar de movimento com caráter de PCC em que temos um tribunal paralelo.
Eu quero as vítimas sejam ouvidas, o que não vem ocorrendo, e quando houver violência física, seja de qual caráter for, que seja denunciada. Porque foram anos pedindo uma lei que punisse a violência contra a mulher, pra que ela seja colocada de lado sob o argumento de que devemos preservar a causa. Que movimento é este que precisa tanto ter um agressor em sua estrutura a ponto de orientar mulher a não denunciar seus agressores. Um movimento que precisa de um agressor em sua estrutura pra mim não serve. E é isso o que acaba ocorrendo, as mulheres abandonam estes espaços políticos, porque não se sentem seguras, enquanto os agressores continuam seus caminhos, como se nada houvesse ocorrido. Eu quero que os agressores sejam punidos, sejam eles brancos, pretos, ou azuis de bolinhas amarelas.
A segunda coisa que me deixou chocada foi o questionamento sobre a solidariedade à mulher. Bom, quem já teve contato com mulheres que sofreram violência sabem o quanto é difícil elas falarem sobre a violência. Elas sentem vergonha, medo e muitas vezes culpa que é inculcada pelo próprio agressor, como forma de mantê-la calada. Quando uma mulher chega a mim e diz que sofreu uma violência, serei sim solidária a ela, porque é uma mulher diante de você que está em seu limite, pedindo, socorro.
É claro que não apoio a Elisa Matsunaga ter feito picadinho do marido, mas eu tenho certeza, pelo perfil do morto, que a todo momento ele fazia questão de lembrá-la de onde ele havia a tirado, de como ela perderia a filha, que ela não passava de uma prostituta. E neste ponto, desculpa, sou solidária a Elisa, MAS também quero que ela vá para a cadeia porque matou um homem.
A mesma pessoa que apontou a Lei Maria da Penha como instrumento do Estado (conta uma novidade é uma lei), que questionou a solidariedade às vítimas, também condenou os escrachos como forma de apontar os agressores, citando o caso do escracho de um militante do Movimento Passe Livre. Ela, o nome da pessoa é Simone, disse que o escracho ao agressor foi feito num momento em que o Movimento estava com grande visibilidade da imprensa e por isso não deveria ter sido feito. Segundo a própria vítima, o escracho foi o que possibilitou a ela terminar as disciplinas que cursava e por isso, toda solidariedade a ela. O que coloco novamente à dona Simone, que eu gostaria muito que lesse este texto, é porque ela culpa a vítima e não o agressor pelo ocorrido? Quem estava ameaçando a ex-companheira era ele. Por que o movimento não tomou providências se era tão interessante não ter esta exposição negativa na mídia? E escracho por escracho, somos escrachadas todos os dias, quando passam por nós e nos chamam de gostosa, quando quebram nosso braço em balada porque não quisemos dar trela pro babaca! Vamos novamente culpar a vítima?
Movimentos sociais são construídos por indivíduos engajados que acreditam em determinadas causas. Não há movimento sem a participação destas pessoas. O movimento não se sustenta se estas pessoas não forem vistas como indivíduos, se os problemas relatados dentro da orgânica destes espaços não forem tratados com medidas assertivas e de acordo com sua gravidade. Se é esta esquerda que estão construindo, que precisa tanto de homens violentos para que o coletivo não se enfraqueça, desculpe, eu prefiro ficar em casa! E isso que ocorre quando uma vitima tem apoio negado nestes espaços.
Achei que estivesse pronta para militar em outras causas, que não somente as feministas, porque eu quero mesmo viver num mundo melhor, mas com a esquerda que vi ontem, prefiro me manter somente nos espaços feministas que frequento e que são seguros. Desta esquerda pelega e nauseante eu quero distância!
Solidariedade feminista SEMPRE!

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