Espaço criado para analisar a sociedade em geral, tendo como conhecimento empírico minhas tragédias pessoais e a farsa de que sou uma pessoa perfeita e toda a humanidade é puro desperdício de existência. No fundo, todos nós achamos que estamos certos e o resto do mundo é que se comporta mal, mas não temos coragem de expor isso. Bem, como não tenho mais nada a perder, vamos ver até onde vou. Egocêntrica e narcisista? Não importa: Freud explica!
quinta-feira, março 07, 2013
Django tupiniquim
Apesar da conquista de Barbosa ser um feito que deve ser comemorado por todos nós, me chamou a atenção a maneira como a mídia branca e de direita passou a enaltecer o ministro. Pra quem estudou um pouco semiótica e se dedicou a perder cinco minutos de reflexão, estava claro a intenção da mídia em construir um herói para combater quem? Os bandidos feios, sujos e malvados do mensalão. E ninguém melhor que Joaquim Barbosa para cumprir esse papel.
O “menino pobre que mudou o Brasil” na capa da reacionária Veja, tinha a trajetória clássica do herói de Campbell: pobre, filho de um pedreiro e uma mãe analfabeta, adorava ler, estudou, se empenhou, venceu por mérito próprio e agora? Era o herói que o Brasil precisava para combater a "quadrilha" petista.
O que essa mídia não contava é que Joaquim Barbosa é um destemperado. Durante o julgamento do mensalão, foram várias as ocasiões em que o ministro pesou a mão, às vezes, beirando a grosseria. Quem não se lembra do embaraçoso episódio em que ele disse ao colega Lewandowski, que deveria voltar à universidade e estudar mais. Totalmente desnecessário, mas ilustra bem a personalidade do ministro.
Pois bem, os principais acusados já foram julgados, então para que mais Joaquim Barbosa pode servir ao PIG (Partido da Mídia Golpista)? A mais nada! Nosso Django tupiniquim já cumpriu sua trajetória e pode voltar para a senzala.
Terça-feira, Barbosa deu o tiro de misericórdia na sua relação com os grandes conglomerados de nossa comunicação. O ministro mandou um repórter que trabalha para o Estadão "chafurdar no lixo". Dois dias depois, o jornal solta editorial intitulado “Os barracos do STF”,no qual enumera os “deslizes” de Barbosa e afirma que o estilo do relator deve preocupar, tendo em vista que a partir de 18 de março, ele assume o cargo de presidente do STF, no lugar de Carlos Ayres Britto. “E de forma alguma é descabido perguntar se ele sabe que terá de domar o seu temperamento para conduzir o tribunal com a paciência e o comedimento demonstrados por Ayres Britto - duramente testados, aliás, nos 'barracos' que teve de acalmar no curso deste julgamento”. Não apenas diz que ele deve se portar como o branco fino que o antecedeu, como sugere que seu gênio deve ser “domado”.
Além do editorial do Estadão, Merval Pereira, Dora Kramer e Marco Aurélio Mello já haviam indicado que o destempero de Joaquim Barbosa era prejudicial ao cargo que ocupará em breve. Indico aqui o ótimo artigo do Brasil 247, “Elite começa a descobrir o monstro criado no STF”.
Agora me diga, querem ou não querem enxotar o Barbosa da casa grande? Quando eu expressei essa opinião, hoje cedo, em post do Facebook, alguém veio me dizer que sou racista. Infelizmente ironia é para poucos. O fato é que eu não sou racista, a mídia brasileira é. Quando eu cheguei por aqui, essa merda toda já existia, a única coisa que fiz foi refletir sobre ela. E nesse mundo de homem branco, heterossexual e rico, os negros só têm vez quando os brancos donos do poder deixam.
Se depender de mim, Joaquim Barbosa passará. O meio jurídico é todo polido, vossa excelência pra lá, doutor sem título pra cá. As pessoas se chocam com Barbosa porque ele foge à regra. E o que esperar de um homem negro e pobre que chegou no posto que ele chegou? Não foi baixando a cabeça que ele conseguiu. Foi peitando todo o mundo. Adoro o jeito dele, menos quando é desrespeitoso. Mas quando é ácido, ele é um espetáculo!
sábado, março 02, 2013
O feminismo, uma pequena visão da morte e eu...
domingo, novembro 11, 2012
Existe machismo na esquerda
Sim, sou feminista e isso não significa nem de longe que eu odeie homens ou que eu seja lésbica, associações muito comuns que os leigos ou pessoas maldosas costumam referenciar ao conceito. Sou feminista porque eu acredito que o fato de ter nascido com uma boceta no lugar de um pau me colocar em desigualdade histórica com os homens e eu não acho justo e não quero que aconteça com a minha mãe, com as minhas amigas, com minha sobrinha, com uma filha, se acaso eu tiver uma, e tampouco quero que aconteça com qualquer mulher conhecida ou desconhecida. Isso de uma forma bem básica.
Pois bem, em outubro, participei de um evento promovido pela Marcha das Vadias Sampa e me chamou muito a atenção o debate de algumas meninas presentes, que militam em movimentos sociais das mais variadas causas e que reclamavam do machismo sofrido nestes espaços. Isso ia desde ficarem responsáveis pela limpeza e organização dos espaços de encontro, em detrimento da participação nas discussões, até agressões físicas e verbais, quando se opunham ou questionavam decisões. Foi o que me levou ao evento de sábado. Era dedicado ao tema e achei que poderia me aprofundar na questão.
Bom, a primeira constatação foi que todos os presentes, mulheres e homens, assumiram a existência do problema. Acho que é o primeiro passo para combatê-lo, mas o que seguiu daí pra frente foi estarrecedor e me faz questionar muito se eu quero mesmo fazer parte desta esquerda que não é de nada há muito tempo. O que me deixou realmente chocada, foi ouvir de mulheres, não sei de quais movimentos, porque realmente tive medo de perguntar, que os casos de violência dentro dos grupos de esquerda devem ser resolvidos internamente, pois a Lei Maria da Penha serve para “encarcerar nossos militantes pobre e negros”.
Eu estava preparada para ouvir de um tudo, mas nunca achei que dentro de um evento promovido por grupos feministas eu escutaria alguém dizer que a Lei Maria da Penha era um retrocesso e servia de instrumento para promover a política podre de nossa polícia de discriminação. Não, definitivamente eu não estava preparada para isso. E vamos combinar, agressor não fica preso, ele paga meia dúzia de cestas básicas e volta pra casa pra ensinar a mulher como não denunciá-lo, batendo nela de novo.
Eu acredito sim que eventos violentos como não aceitar que as colegas se pronunciem, gritar, xingar são casos que podem ser resolvidos dentro das orgânicas do movimento, com diálogo, principalmente mostrando ao agressor que o movimento é de todos e que ele está reproduzindo o machismo, que nada mais é do que instrumento de poder da estrutura que eles combatem. Agora, não me venha dizer que casos de espancamentos e abusos devem ser combatidos dentro da estrutura do movimento porque eu não quero participar de movimento com caráter de PCC em que temos um tribunal paralelo.
Eu quero as vítimas sejam ouvidas, o que não vem ocorrendo, e quando houver violência física, seja de qual caráter for, que seja denunciada. Porque foram anos pedindo uma lei que punisse a violência contra a mulher, pra que ela seja colocada de lado sob o argumento de que devemos preservar a causa. Que movimento é este que precisa tanto ter um agressor em sua estrutura a ponto de orientar mulher a não denunciar seus agressores. Um movimento que precisa de um agressor em sua estrutura pra mim não serve. E é isso o que acaba ocorrendo, as mulheres abandonam estes espaços políticos, porque não se sentem seguras, enquanto os agressores continuam seus caminhos, como se nada houvesse ocorrido. Eu quero que os agressores sejam punidos, sejam eles brancos, pretos, ou azuis de bolinhas amarelas.
A segunda coisa que me deixou chocada foi o questionamento sobre a solidariedade à mulher. Bom, quem já teve contato com mulheres que sofreram violência sabem o quanto é difícil elas falarem sobre a violência. Elas sentem vergonha, medo e muitas vezes culpa que é inculcada pelo próprio agressor, como forma de mantê-la calada. Quando uma mulher chega a mim e diz que sofreu uma violência, serei sim solidária a ela, porque é uma mulher diante de você que está em seu limite, pedindo, socorro.
É claro que não apoio a Elisa Matsunaga ter feito picadinho do marido, mas eu tenho certeza, pelo perfil do morto, que a todo momento ele fazia questão de lembrá-la de onde ele havia a tirado, de como ela perderia a filha, que ela não passava de uma prostituta. E neste ponto, desculpa, sou solidária a Elisa, MAS também quero que ela vá para a cadeia porque matou um homem.
A mesma pessoa que apontou a Lei Maria da Penha como instrumento do Estado (conta uma novidade é uma lei), que questionou a solidariedade às vítimas, também condenou os escrachos como forma de apontar os agressores, citando o caso do escracho de um militante do Movimento Passe Livre. Ela, o nome da pessoa é Simone, disse que o escracho ao agressor foi feito num momento em que o Movimento estava com grande visibilidade da imprensa e por isso não deveria ter sido feito. Segundo a própria vítima, o escracho foi o que possibilitou a ela terminar as disciplinas que cursava e por isso, toda solidariedade a ela. O que coloco novamente à dona Simone, que eu gostaria muito que lesse este texto, é porque ela culpa a vítima e não o agressor pelo ocorrido? Quem estava ameaçando a ex-companheira era ele. Por que o movimento não tomou providências se era tão interessante não ter esta exposição negativa na mídia? E escracho por escracho, somos escrachadas todos os dias, quando passam por nós e nos chamam de gostosa, quando quebram nosso braço em balada porque não quisemos dar trela pro babaca! Vamos novamente culpar a vítima?
Movimentos sociais são construídos por indivíduos engajados que acreditam em determinadas causas. Não há movimento sem a participação destas pessoas. O movimento não se sustenta se estas pessoas não forem vistas como indivíduos, se os problemas relatados dentro da orgânica destes espaços não forem tratados com medidas assertivas e de acordo com sua gravidade. Se é esta esquerda que estão construindo, que precisa tanto de homens violentos para que o coletivo não se enfraqueça, desculpe, eu prefiro ficar em casa! E isso que ocorre quando uma vitima tem apoio negado nestes espaços.
Achei que estivesse pronta para militar em outras causas, que não somente as feministas, porque eu quero mesmo viver num mundo melhor, mas com a esquerda que vi ontem, prefiro me manter somente nos espaços feministas que frequento e que são seguros. Desta esquerda pelega e nauseante eu quero distância!
Solidariedade feminista SEMPRE!

quinta-feira, agosto 09, 2012
Sobre música e grandes dores de amor
E dói, por Deus, que dor medonha! Felizmente, os tropeços nos fazem aprender. Antes, eu morria, mesmo, sem exagero, era um horror enfrentar o fim de um relacionamento. Mas faz algum tempo, aprendi a apreciar este momento tão temido – o fim de um amor. E vou além, eu sempre começo algo, pensando neste finzinho. Se será trágico, se será poético, se será calculado. E na sequência em penso: que música será que vai embalar o meu sofrimento?
Bom, geralmente, minha veia mexicana começa pelo clássico “Negue”. Ccomo é bom cantar aquilo embriagada, os olhos manchados pelo rímel, o rosto vermelho que dá aquele ar todo especial de palhaço à sua cara. No final da dor de cotovelo, sempre sei que estou me recuperando, quando o repertório muda para “Olhos nos olhos”.
Nesta hora, sei que estou pronta para recolher os cacos pelo chão! O cabelo meio despenteado, a calça de moletom com um furo na bunda, a blusinha velha de lá que protege do frio medonho que uma dor de amor provoca. Sobe o BG “olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais”. Nesta parte, me sinto pronta para encarar o mundo de frente novamente. Estou curada! Porque eu também aprendi que isso passa, que não há dor de amor nesta vida capaz de matar o sujeito por si só. Superação está no DNA do ser humano, por menos que a gente teime em acreditar nisso.
Nariz de cera gigantesco – é meu blog, eu posso para dizer que ontem, fui ao cinema ver o documentário “Vou rifar meu coração”. Ele basicamente fala sobre “o Brasil romântico, a música, a dor”. Eu gosto muito de documentário, principalmente aqueles que se focam em contar a história das pessoas. E é isso que ele faz. Ele junta o corno, o desiludido, a prostituta, o travesti, o gay, a esposa e a outra, o mulherengo numa sequência de imagens para contarem para contar porque cada um deles já sofreu por amor. E todos estão acompanhados de grandes nomes da música romântica popular, ou brega, como se acostumou denominar Odair José, Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Evaldo Braga, Nelson Ned, Amado Batista e Wando, entre outros.
Pensa numa coisa bonita de ser ver e ouvir. Pessoas de verdade, gente feia, desdentada, gorda, gay, transexual, nos inferninhos mais horrorosos que a produção conseguiu encontrar, gente de verdade, tão diferente do que costumamos ver dentro dos padrões Globo, todas dizendo que, quando se fala de amor, não importa se você está numa casa de palafita, ou numa cobertura de Leblon, a dor entra rasgando peito adentro e isso é lindo.
Porque viver é amor, mas também ódio; é saúde, mas também doença; é alegria e também tristeza. Esta tensão que não nos deixa nunca. E que nos faz fortes, nos faz bravos, nos faz recomeçar a cada dia! Mais que isso, é o que me faz achar a humanidade insuportável, mas é o que também me encanta em ser gente e gente é outra alegria, não é mesmo?
domingo, julho 15, 2012
Uma segunda oportunidade, todos nós merecemos
terça-feira, julho 10, 2012
A gente não perde o que nunca teve (será)?
quarta-feira, junho 06, 2012
Eu sou uma farsa
terça-feira, maio 15, 2012
E no meu mundo louco, Carolina Dieckmann é vítima e não vilã
Ai, eu chego hoje e está todo mundo jogando pedra na Geni do século 21. Então, eu queria entender só uma coisa. A mulher tira umas fotos peladas pro marido, por ignorância arrisca os dados na net – quem nunca – tem as fotos pessoais, íntimas, tiradas na privacidade do lar ou da puta que pariu roubadas. É chantageada, não sede à chantagem – o que eu acho ótimo porque chantagista é escória – e tem as fotos jogadas na net. O meu constrangimento aqui é o seguinte: por que o linchamento público e moral é DELA e NÃO dos criminosos que roubaram, chantagearam e publicaram as fotos ilegalmente? Por que é que as pessoas riem da cara dela, quando ela diz que se preocupou com o que o filho de 13 anos pensaria? Aliás, alguém consegue imaginar o que o infeliz tá passando na escola, porque criança sabe pegar pesado, né?
A resposta é bem básica MACHISMO. É o mesmo princípio que leva gente a achar que mulher é estuprada porque não usou roupas "adequadas" e não porque o estuprador é um doente. Pra que esculachar os hackers chantagistas, se podemos colocar a mulher, que tem sua sexualidade resolvida, um marido bonito, atriz bem sucedida mais uma vez na fogueira? E sabe o que mais me mata, eu não vejo só homens tendo este tipo de atitude. Puta gentinha machista e recalcada!
quarta-feira, maio 09, 2012
Aos espíritos livres
"A caverna subterrânea é o mundo visível. O fogo que ilumina é a luz do sol. O acorrentado que se eleva à região superior e a contempla, é a alma que se eleva ao mundo inteligível. É este pelo menos meu modo de pensar (minha verdade pessoal), que só a divindade pode saber se é verdadeiro (relatividade da verdade com relação à divindade). Quanto a mim, é como passo a dizer-te. Nas últimas fronteiras do mundo inteligível está a ideia do bem criador da luz e do sol no mundo visível, autora da Inteligência e da Verdade no mundo invisível e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos levantados para agir com sabedoria nos negócios individuais e públicos."
Esse grupo de direitos tem por objetivo garantir que o relacionamento entre as pessoas seja baseado na liberdade de escolha dos rumos de sua própria vida - por exemplo, definir a profissão, o local de moradia, a religião, a escola dos filhos, as viagens [novamente, escolher se é a melhor hora ou não para ter um filho, se quer ou não viver como um vegetal, se vai ou não ser mais feliz entupindo a bunda com droga] - e de ser respeitado por qualquer que seja a escolha, porque ela é individual, logo dispõe sobre como o “INDIVÍVIDUO’ prefere conduzir a própria vida! Não a vida do parceiro, não a vida da mãe, pai, avô, papa, periquito. É o que ela(e) quer pra vida! Por isso, direitos civis dizem respeito à liberdade de cada um e não à liberdade do outro.
Ter os direitos civis garantidos, portanto, deveria significar que todos fossem tratados em igualdade de condições perante as leis, o Estado e em qualquer situação social, independentemente de raça, condição econômica, religião, filiação, origem cultural, sexo, ou de opiniões e escolhas relativas à vida privada.” (EducaRede)
quarta-feira, abril 04, 2012
Um respiro
Às vezes me sinto tomada por uma total falta de esperança, descrença, tédio. O mundo inteiro me parece chato, enfadonho. E não sou arrogante a ponto de pensar que o problema é com os outros, que eles não são bons o suficiente pra mim. Sei o peso de minha responsabilidade sobre estas sensações.
Então eu me fecho, me entrego a mim mesma, questiono, pergunto, penso e repenso em mil coisas feitas e em mais mil maneiras de fazer diferente, e em todos os resultados possíveis. E eu leio como se não houvesse amanhã e tivesse que ler tudo hoje. E só livros que me provocam, capazes de me fazerem uma revolução. E é sempre um processo solitário e difícil olhar pra dentro de si mesmo, mas também é reparador.
É reparador porque cada vez que sub Às vezes me sinto tomada por uma total falta de esperança, descrença, tédio. O mundo inteiro me parece chato, enfadonho. E não sou arrogante a ponto de pensar que o problema é com os outros, que eles não são bons o suficiente pra mim. Sei o peso de minha responsabilidade sobre estas sensações.
E então eu passo a amar de novo e amo acima de tudo as pessoas que, dê alguma maneira, foram meus oásis nos momentos de questionamentos. Que mesmo eu estando inserida num árido cotidiano, me ajudaram a pensar, me fizeram rir, me provocaram, me mostraram outros pontos de vista, me estenderam as mãos nos momentos de fraqueza, me ensinaram coisas novas, me deram um respiro, me fizeram acreditar que apesar de estar foda, o processo sempre pode ser divertido, se estamos do lado das pessoas certas.
Eles não estão sempre comigo e é provável que com muitos eu não cruze mais nesta vida, mas em algum momento, eles ajudaram a oxigenar minha existência, a torná-la mais leve, tenha sido por conta de um e-mail no meio da tarde, uma piada que só a gente entende, uma tarde best de sol, ouvindo música e falando merda, um domingo sentado na Paulista olhando pro nada e pensando na vida, um show de punk daqueles de lavar a alma. Tenho sorte de cruzar com pessoas assim, de vez em quando. E tome a vida o caminho que ela tiver que seguir, estas pessoas me ensinaram algo, me mostraram uma alternativa, me deram um respiro e sou grata, imensamente grata a todas elas.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Aos meus fantasmas...
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Um copinho de cicuta
Pensei: "ótimo, agora eu morro de indigestão e todos os meus problemas acabaram",mas eu consegui me levantar da mesa. Segundo minha mãe, não morri porque Deus não quis. Aliás, Deus e eu estamos numa briga ferrenha nos últimos tempos.
PORRA, Deus, custava me matar lá mesmo no café, com a cara melada no bolo de cenoura? Mas que matar que nada, Deus quer que a gente aproveite cada pequeno momento horrível que a vida pode nos proporcionar. É para o aprendizado, segundo o senhor Kardec. Às favas com o aprendizado, eu quero um copo de cicuta agora!

quarta-feira, agosto 31, 2011
A mulher negra na mídia
Participei de um curso promovido, no Sindicato dos Jornalistas de SP, chamado “Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas”, porque acredito que a gente sempre pode melhorar como pessoa e como profissional, né? Ontem, tivemos um exercício que foi muito bacana: ler matérias publicadas na Folha de São Paulo, G1 e IG, por exemplo, sobre os grupos abordados no curso, e como eles veiculam matérias destes grupos em suas notícias.
No caso do meu grupo, analisamos uma chamada da Folha Online para duas notas publicadas na coluna da Mônica Bergamo e que é de deixar qualquer um bem preocupado com o que consumimos, em termos de notícias, por ai. Seguem as matérias e uma breve análise dos causos!
06/07/2011 - 08h50
Diretora é condenada por chamar professora de "macaca" em SP
DE SÃO PAULO
A diretora de uma escola pública de São Paulo foi condenada a um ano de prisão por ter chamado uma professora negra de "macaca". A pena, no entanto, foi convertida no pagamento de um salário mínimo, segundo a coluna Mônica Bergamo, publicada na edição desta quarta-feira da Folha.
A coluna completa está disponível para assinantes da Folha e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
De acordo com a coluna, Francisca Teixeira disse, ao receber Neusa Marcondes em sua sala: "Entra aqui, macaca, venha assinar esse documento".
A defesa da diretora alegou que ela se referia à "hiperatividade" da professora, que estaria pulando e fazendo brincadeiras com as colegas. A Justiça não aceitou o argumento.
O advogado da diretora, Alexandre Barduzzi Vieira, disse que vai recorrer. "Ela foi infeliz de usar essa palavra, que por si só não pode ter carga suficiente para caracterizar um crime", diz.
Vamos começar pelo título! Observem que o crime de injúria racial é omitido. A diretora foi condenada porque usou o termo “macaca” pura e simplesmente. Não há a preocupação em informar por qual crime a dita senhora foi condenada.
Perderam a chance, inclusive de esclarecer qual a diferença entre crime de injúria racial e racismo. Como a gente pretende fazer diferente, peguei um link bacanudo que explica direitinho o trem pra gente não permanecer na ignorância! Eu, por exemplo, não sabia que tinha diferença, pra mim era só racismo e ponto. Clica nesta gracinha "O que é realmente segundo a lei Injúria Racial X Racismo".
Ai, o que temos em seguida? A declaração pompilha pomposa do advogado da acusada – atenção, só da acusada – que tem a oportunidade de apresentar mais uma vez a defesa da criminosa – sim, porque ela foi considerada culpada. Além de dar voz somente à acusada, deixando a vítima negra e mulher de fora, pra melhorar a palhaçada, o advogado minimiza a questão dizendo que a palavra “macaca” por si só NÃO poderia caracterizar o crime.
Mas vai ficar melhor, ou pior, vocês decidem. Vamos às notas da senhora Mônica Bergamo.
A diretora de uma escola pública de SP foi condenada a um ano de prisão -convertido no pagamento de um salário mínimo- por ter chamado uma professora negra de "macaca". Francisca Teixeira disse, ao receber Neusa Marcondes em sua sala: "Entra aqui, macaca, venha assinar esse documento". A defesa da diretora alegou que ela se referia à "hiperatividade" da professora, que estaria pulando e fazendo brincadeiras com as colegas. A Justiça não aceitou o argumento.
ORIGEM DAS ESPÉCIES (acuma?)
O advogado da diretora, Alexandre Barduzzi Vieira, vai recorrer. "Ela foi infeliz de usar essa palavra, que por si só não pode ter carga suficiente para caracterizar um crime", diz. "Vamos chegar ao ponto de não poder usar mais nenhuma expressão. Não poderíamos ensinar a teoria de Darwin, que se refere ao homem como descendente do macaco."
Bom, preciso dizer que eles acabaram de “regaçar”? Nós estamos falando de um crime de injúria racial – aprendemos direitinho! O que deu na porra da cabeça da Mônica Bergamo ou de seus digníssimos colaboradores de colocar “Macaco na Jaula” e “Origem das espécies” nos títulos das notas, meu Senhor do Bonfim? Só pode ser tóxico, não tem outra explicação plausível pra isso. Fumaram crack e foram escrever!
Na primeira nota, há novamente a contextualização do caso, que não difere muito da chamada da Folha Online, a não ser pelo título criado sob efeito de drogas pesadas. "Macaco na jaula", dá pra comentar? Eu não consigo!
Mas na segunda nota, o que temos? Temos a pobre Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin sendo utilizada para o quê? Para justificar injúria racial - nós já aprendemos!
Darwin deve ter dado piruetas no caixão. Isso é muito perigoso e sério! Durante muito tempo, uma séria de teorias fundamentadas em nome de uma pseudociência foram utilizadas para dizer que negros têm tendência ao crime, que são violentos, que são inferiores aos brancos!
Como é que se publica uma declaração destas sem a menor preocupação em explicar, esclarecer? Como é que se dá voz apenas ao acusado? Não é um princípio BÁSICO do jornalismo ouvir a porra das duas versões? Onde está a mulher, negra que sofreu a violência para dizer como se sentiu?
E podemos ir além. Podemos concluir que apesar de libertas, apesar da revolução sexual, do feminismo, a MULHER NEGRA continua literalmente sem voz.
Podemos concluir que além de injúria racial, a diretora foi sexista, porque talvez ela não tivesse falado “vem aqui, macaco” se o empregado fosse um homem negro.
Podemos dizer que houve abuso de poder, porque ela é a autoridade dentro da escola e, mais que isso, é quem determina as políticas de como o colégio deve agir em caso de racismo. Como será que esta diretora lidaria com uma questão racial entre os alunos? Que tipo de orientação seria dada?
Tudo isso não passou nem perto de ser abordado por qualquer uma das matérias. Podem argumentar que uma nota não teria espaço pra todas estas abordagens, mas não ouvir a vítima é imperdoável!
No curso que mencionei, trabalhamos com mais quatro grupos que pegaram textos parecidos e onde o indígena, a lésbica o negro, em nenhum momento é ouvido. Mas nós podemos fazer diferente. Hoje em dia, todos os veículos tomam cuidado para que crianças e adolescentes sejam reconhecidos em suas matérias. Usam o termo vulnerabilidade social, ao invés de estarem se drogando ou prostituindo. Foi fácil esta “educação”? Não, mas nós aprendemos. É importante que este cuidado passe a fazer parte de nossa rotina, enquanto jornalistas, afinal, está lá, em nosso código de ética, só pra refrescar a memória:
Art. 6º É dever do jornalista:
I - opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II - divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III - lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos,
negros e minorias;
XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero

terça-feira, julho 12, 2011
O que não preciso
Eu não sou uma pessoa fácil! Eu penso demais, eu filosofo demais, eu quero respostas pra tudo e sofro quando não as consigo.
Eu sou exigente, alguns dizem que sou mimada. De qualquer forma, a pessoa é para o que nasce e eu sou assim:
eu gosto de sol, de dias quentes, de noites de lua cheia, eu gosto de praia e de cachoeira, sou filha de Oxum e Ogum, mas não deixo de me render aos encantos de Iemanjá e Xangô.
eu gosto de quadrinhos e meus personagens preferidos são a Mafalda e o Calvin.
eu quero ser mãe, sentir um filho crescer dentro de mim, mas também quero adotar uma criança.
eu gosto de ler, de ouvir música sozinha, adoro cinema e me encanto com o teatro. A dança é linda,mas pra mim só o caos da contemporânea. O clássico me enjoa!
eu gosto de saia e de vestido, eu adoro sentir meus pés livres em uma sandália e de andar por ai despenteada. Me sinto mais autêntica quando não penteio o cabelo.
eu gosto de chocolate e de sorvete. Eu como quase tudo, mas odeio mastigar salada.
eu prezo minhas amizades e sou leal a elas. Eu estou com você até o fim, se te considerar meu amigo.
eu gosto de político, prefiro falar dela a discutir futebol.
eu gosto do meu trabalho. Gosto de escrever e não me imagino ganhando a vida de outra forma.
eu gosto de rock, muito, mas minha vida não teria graça sem Caetano, Gil, Chico, Bethânia, Gal Costa, Calcanho e tantos outros.
eu não tenho saco pra esportes, não pratico – deveria - e só acompanho quando é copa ou olimpíada.
eu gosto de crianças, mas só as que não gritam. Gosto do sorriso delas e da lógica própria de ver o mundo. É divertido!
eu adoro bichos. Eu amo cachorros e gatos, mas acho que só os últimos têm o dom de ensinar você a viver com mais leveza, elegância e sutileza.
eu sou imediatista, não sei dar tempo ao tempo e sou punida por isso.
eu sou bipolar. Então às vezes acordo bem triste; às vezes acordo tão alegre que posso voar. É difícil, mas são meus momentos e tento conviver com isso.
eu mudo de opinião sobre um determinado assunto 25 vezes no dia, mas só quando eu não confio no que me disseram.
eu gosto da verdade, eu gosto de quem é verdadeiro comigo.
eu gosto de trepar, de beijar na boca, de abraçar, de dar carinho, de dar confiança, de dar lealdade, de me dar inteira.
eu achei que não pudesse mais gostar. Descobri que posso, mas tenho exigências!
eu preciso de vínculos, de estar próximo. Se não for deste jeito, me sinto incompleta e assim eu não quero!
eu não tenho problemas em me doar, desde que perceba que o outro está na mesma sintonia, fazendo o mesmo. Do contrário, eu não quero!
eu sou uma pessoa difícil. Esforçada, eu sempre tento melhorar, mas ainda assim sou difícil.
Nem sempre sei o que quero, mas com certeza, sei o que não preciso.
segunda-feira, junho 27, 2011
Alma calejada
terça-feira, junho 14, 2011
Um solitário no cais
segunda-feira, junho 06, 2011
O noivo corajoso
Eu tinha apenas 16 anos quando fui levada a Macau para me casar com um grande comerciante que pagou um ótimo dote ao meu pai para me ter como esposa. O nome de meu futuro esposo era João, um português gentil, porém velho e mal cheiroso a quem eu repudiava com todas as minhas forças.
A verdade é que sua pessoa não era de toda ruim, mas a proposta de casamento afastou-me de Olivier, o francês contratado por minha mãe, para me dar aula de etiqueta, literatura e piano. Afinal, eu era um biscoito fino.
O que ninguém sabia era que Olivier me ensinou muito mais que apreciar escritores como Bocage, Conde Byron e o tão temido como pouco compreendido Marquês de Sade. Com Olivier, também havia aprendido a me doar por inteira, a dar risada, a desejar e ser desejada, aprendi a ser mulher, a querer ser livre e aprender tudo o que eu pudesse sobre a vida. Foi a ele que entreguei meus sentimentos mais íntimos, pouco antes de partir a Macau.
Apesar de toda a intensidade de sentimentos e do que eu havia vivido com Olivier, fui incapaz de dizer não ao meu pai, e aceitei o casamento. E enquanto eu estava ali, parada diante da porta da igreja, submersa em todos estes pensamentos, em como tudo poderia ter sido diferente, mas não seria por minha covardia, mal notei a correria ao meu redor e o olhar de espanto com que todos me olhavam.
Só me dei conta de que algo estava errado quando vi meu pai se aproximando de mim e dizendo "eu sinto muito". Perguntei o que havia de errado e ele me respondeu que o noivo havia fugido com o amante que há anos tinha um caso. Olhei nos olhos de meu velho pai, ergui minha cabeça com toda dignidade que consegui e agradeci a Deus pelo noivo ser mais corajoso que eu.
domingo, maio 29, 2011
Simplicidade pra quem?
Diante de uma realidade como esta, a questão que fica é: quem foi o babaca que disse que o segredo de tudo é a simplicidade? Nós não somos simples!
É nosso exercício diário sermos complexos. É de nossa natureza ploblematizar questões, perguntar-se a que veio, pra onde vamos, desejar o melhor, desejar o pior, querer mudar de vida, querer dar o melhor a quem ama, correr atrás do que se quer, largar tudo, virar hippie, ir morar em Jericoacoara.
A vida não é simples e ela precisa ter seu valor reconhecido. Por que ela não passa de um acaso. O Big Ben tinha uma chance em um milhão para acontecer. E ele aconteceu, e o universo começou a se expandir, e os planetas surgira, e começaram a girar em torno do sol. E o primeiro sopro de vida, seres unicelulares surgiram e evoluíram e deram espaço ao que somos hoje: milhares de anos de evolução, "o tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor" tão bem explicado no documentário Ilha das Flores.
Durante muito tempo eu tentei ver a vida de uma maneira simples pra tentar facilitar, mas eu só conseguia ser rasa e deixava um monte de coisa pra trás. Não dá pra ser assim, é contra a nossa natureza. Eu quero o complexo, o que arde, o que me provoca, o que me coloca em dúvida e me faz ir além! Vale cada gota de suor, vale cada lágrima de alegria ou de tristeza, vale absolutamente tudo porque coloca no meu caminho o que eu chamo de felicidade e que eu quero pra mim. Não pode ser simples, não pode ser fácil. Tem que ser conquistado!
domingo, maio 22, 2011
É que parece um sonho...
Este amor que me completa, que me tira o chão, que me faz querer viver pra sempre perto de você. E eu nunca planejei coisas como estas. Eu nunca pensei que pudesse querer passar minha vida com alguém, ter um filho muito desejado com alguém, porque já me roubaram isso um dia!
Querer tanto alguém como eu te quero me deixa apavorada. Eu tenho medo de perder o que está se construindo. Que alguma catástrofe aconteça e eu perca tudo.
É que parece um sonho, você entende? Eu encontrar alguém que eu goste tanto e que a recíproca seja verdadeira. Eu quero bem a você, aos seus filhos, à vida que a gente pode construir juntos.
Eu só queria dizer isso, que pra mim a vida nunca foi fácil, e eu passei parte dela nadando contra a maré e quando tudo parece que vai dar certo, eu desconfio, eu duvido. Você me dá a sua paciência? Porque eu tenho todo o amor do mundo pra te dar e eu quero muito que você aceite.
quarta-feira, maio 11, 2011
O meu som e a minha fúria
Eu sempre gostei desta frase, título do livro mais contundente de Willian Faulkner. Era bom saber que além de mim, um escritor tão fodido também pensava desta maneira. Vida deveria ter trilha sonora, vida deveria ser sempre “furiosa”, no sentido de levá-la com entusiasmo, com inspiração, com vontade!
Mas nem sempre as circunstâncias são favoráveis a toda esta fúria. A gente deixa de ouvir os sons que fazem a diferença, não repara nas cores que estão a nossa volta, espera sempre mais de quem está muito aquém de nossas expectativas. E a vida vira uma coisa morna e sem graça.
E daí de repente você cansa e resolve atirar! E você é premiado pela ousadia: o universo diz amém e as coisas começam a acontecer do seu jeito, na sua velocidade, com a pessoa que você quer e, olha só, ela está bem além do que você poderia considerar bom!
E isso é reconfortante, e isso é legal, e isso faz você perder o ar, e faz você acreditar, e faz você mergulhar sem olhar o que está lá embaixo. Pelo prazer de sentir o sangue pulsar mais rápido, o corpo ficar quente, o coração acelerar! A vida volta a ter som, ela volta com toda a fúria!
O som de hoje é do Ira e a minha fúria é você!
