segunda-feira, maio 14, 2007

Chiliquei


O verbo "chilicar" deriva do substantivo "chilique". Hoje, confesso que chiliquei. Pronto, finalmente redescobri o que é ser um ser humano normal, com todas as mesquinharias que há tempos tinha deixado no fundo do baú, após colocar uma pitada de ensinamento budista na minha vida.

Hoje, a garota que ficará no meu lugar, no emprego que estou de aviso prévio, foi até lá assinar umas babaquices. Sabendo disso, achei melhor dizer aos que ainda não sabiam que dia 8 de junho é adiós definitivo. Parte triste, mas eu já havia dito às pessoas que gosto mais, então hoje foi fichinha, pensei eu. Mas tudo veio a baixo quando eu vi a cara da fedelha que deve ter um papaizinho cheio de grana no bolso para mandá-la a Londres, pagar curso na Panamericana de Artes e bancar o salário miserê da criança! Pobre garota, mal sabe o estrago que fez. Juro que serei legal com ela, mas eu precisava jogar pedra, bosta e o que mais tivesse a meu alcance em alguém, minha Geni foi ela!

Sim, eu surtei! Sim, eu tenho um maldito coração que ainda pulsa, sim eu estou frustrada porque esta porra não deu certo e a única coisa que me alivia é saber que não terei mais minha ex-amiga como chefe, sim eu estou morrendo de ciúmes da garota, eu não quero que meus porteiros preferidos, as copeiras, e a estagiária de educação, e a assistente de eventos gostem mais dela do que de mim! Ai, pronto, disse, falei, coloquei pra fora esta coisa ruim!

Psicótica, ligo para o terapeuta e peço pelo amor que ele tem à própria vida que me atenda ainda hoje. Lindo, ele me atende e diz que eu preciso começar a me despedir internamente destas pessoas, ir me desapegando e pensando que, com algumas, ainda terei contato, mas que outras passarão, ao lado de uma infinidade de pessoas que já seguiram o mesmo rumo.

Disse a ele que queria ser uma rocha, que não queria sentir nada, que estava indo muito bem neste propósito de virar um mineral, mas que hoje foi um fiasco total (Deus, eu fiz uma rima)! Lembrei que foi o primeiro lugar em anos que consegui ficar quieta por pelo menos seis meses. O Neurônio foram cinco anos, mas não conta porque eu praticamente não ficava lá. Enfim, foi assustador perceber que ainda há uma gentinha habitando meu corpo e ela é um disbunde. Era uma vez eu mesma, mas tive que matá-la!

2 comentários:

André disse...

Lu!
É brega e tosko, além de clichê pra caraleo, mas vão-se as porras dos anéis, ficam-se as porras dos dedos!

Os Anéis são esses vermes rastejantes, seres inomináveis, abutres e pequenos (mesmo que só aos nossos olhos, ou só por um momento), farejadores de carniça, inseguros por natureza, contagiantes, sem chão.

Os Dedos são a Luciana Mendonça, aquele dia com aquela pessoa especial, aquele filme que passou naquele fim de semana que não dá pra esquecer, o beijo que parecia que nem ia mais acontecer, os amigos de verdade, a busca por uma verdade, o encontro de várias delas.

Com emprego, sem emprego, de emprego novo, fazendo bico de sábado e domingo, vendendo bijouteria na República... não importa: te amo mesmo assim!

Beijo
André

Flor de Lis disse...

Lola!

Há normalidade dentro deste ser! rsrsrs

Porque chiliques, ciúmes, infeja, minutos de total loucura todo mundo tem. Mas apenas as pessoas muito especiais admitem!

Mas, cá entre nós, admita a insanidade de vez: vc escolheu ser jornalista, uma profissão que, por definição, não tem rotina! Muito mais legal passar por vários locais e descobrir baldes de pessoas que valem a pena (nem que seja apenas uma em cada canto), do que criar raízes e acreditar que o mundo é cruel e cinzento!

Vc é arco-íris. Merece novas pinceladas, sempre, em sua vida!

Vai que quando Deus fecha uma porta, costuma abrir uma janela. E as janelas sempre são mais encantadoras (ora, então não é que tem gente que passa a vida a olhar a vida alheia? vc não precisa disso porque tem a sua própria!)

Bj